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Notas sobre “O trabalho do antropólogo” – Roberto Cardoso de Oliveira

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Antropologias periféricas versus antropologias centrais

 Pesquisas étnicas e nacionais, denominada periféricas em contraposição às pesquisas tidas por tradicionais, ou seja, aquelas que ocuparam maior destaque nos fins do século passado na Inglaterra, na França e nos Estados Unidos.

 

A classificação empregada, possuem apenas dimensão geométrica e não coloca uma antropologia em condição de inferioridade a outra.

 

O autor afirma que a matriz sociológica tem permanecido praticamente a mesma, mas o que trás singularidade às antropologias periféricas em relação as antropologias centrais, é a noção de estilo.

 

→ noção de estilo: termo empregado por Gilles-Gaston Granger (Essai d’une philosophie d’ style), que a entende associada à noção de redundância – não mais como meras metáforas linguísticas, mas como conceitos operacionais. (Pg.113).

 

A ideia é observar diferentes antropologias periféricas projetadas em lugares como Austrália, Israel (Jerusalém), Canadá (Quebec), e Espanha (Catalunha).

 

O estilo particulariza a antropologia sem que ela perca sua vocação universalista assegurada pela disciplina – uma matriz alicerçada sob uma pluraridade de métodos bem como por um cojunto articulado ou articulável de paradigmas.

 

Elementos de ordem cultural são verificadas em estudos antropológicos, e isso pode ser percebido nos Congressos em que cada país apresenta o seu estilo diante do objeto de pesquisa, mantendo o método, mas trazendo novas perspectivas de análise.

 Problematizando o cenário brasileiro, o autor observa que a nossa antropologia sofreu influências dos franceses e alemães e por ultimo dos americanos. O brasilianismo é uma corrente muito forte, e poucos estudos se propõe a analisar outras comunidades, mesmo hoje dispondo de recursos para fazê-lo, os temas vinculados às questões nacionais ainda são maioria.

 

Há ainda no Brasil, dificuldades de campo, como falta de incentivo a bolsa de estudos (e quando existem, são benefícios que privilegiam mais alguns estados que outros), programas de incentivos vinculados com órgãos internacionais e uma forte presença do Estado Estes indicadores fazem com que os trabalhos sejam direcionados para temas específicos, e fiquem de certa forma limitados ao campo de pesquisa. Mas a rigor, essa dependência do exterior, vem diminuindo nos ultimos dez a quinze anos.

 

Mesmo diante de problemas a serem superados, como os apresentados e outros como a falta de institutos de ensino, limitação para profissionais e etc, o autor demonstra otimismo em relação aos estudos periféricos do Brasil e do mundo. Acredita que, apesar dad dificuldades que que sempre encontramos, mas não ignoramos – particularmente as institucionais e financeiras – pode-se contestar cada vez mais o interesse na América Latina sobre a avaliação da disciplina, seja em âmbito local ou regional.

 

Notas sobre “Comunidades imaginadas” – Benedict Anderson

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Comunidades imaginadas – Benedict Anderson

 

Introdução

 

O livro pretende oferecer, a título de ensaio, algumas ideias para uma interpretação satisfatória da “anomalia” do nacionalismo. A impressão que se tem, é de que tanto a teoria marxista quanto a liberal se estiolaram num derradeiro esforço problemático de “salvar fenômenos”.

 

O marxismo, historicamente tem se distanciado do tema nacional, tendo o próprio Marx preferido enunciar “O proletário de cada país deve, naturalmente, ajustar contas antes de mais nada com sua própria burguesia”. (1948). Embora exista esse “distanciamento”, nota-se que fatalmente os movimentos marxistas tem se afirmado em espaço territorial – nacional.

 

Observando os conflitos entre o Vietnã, o Camboja e a China, pode-se compreender a afirmação do autor que define o nacional e o nacionalismo, como produtos culturais específicos mas para buscar compreendê-los, deve-se fazer sobre o prisma de suas origens históricas.

 

Depois de criados, esses produtos se tornaram “moldulares”, capazes de serem transplantados com diversos graus de autoconsciência para uma grande variedade de terrenos sociais, para se incorporarem e serem incorporados a uma variedade igualmente grande de constelações políticas e ideológicas”. (Pg.30).

 

Conceitos e definições

 

Associar nacionalismo a uma ideologia causa problemas epistemológicos.

Tratar o nacionalismo de forma analítica, da mesma forma que se faz com a religião ou o parentesco, permite desassociar nacionalismo do fascismo ou liberalismo.

 O autor propõe analisar a nação, dentro de um espírito antropológico: uma comunidade política imaginada. Imaginada como sendo intrinsecamente limitada e, ao mesmo tempo soberana. (Pg.32).

 

A essência de uma nação, sugere Ernest Renam, consiste em que todos os indivíduos tenham muitas coisas em comum, e também que todos tenham esquecido muitas coisas.

 

As comunidades se distinguem, não por sua falsidade/ autenticidade, mas pelo estilo em que são imaginadas.

 

O conceito de nação soberana nasceu na época do iluminismo e a Revolução estavam destruindo a legitimidade do reino dinástico hierárquico de ordem divina. A garantia e o emblema da liberdade, passaram a ser o Estado Soberano.

 

Assim como Hobsbawman, o autor considera que não existem símbolos mais impressionantes da cultura moderna do nacionalismo do que os cenotáfios e túmulos de soldados. Mesmo estando vazios, sem ossos ou identidade publica, esses monumentos despertam um sentimento de comunidade, principalmente por representarem parte de um acontecimento histórico.

 

 

Unificar a fraternidade, o poder e o tempo foi um dos frutos da imprensa como mercadoria, que éa chave para a criação de ideias inteiramente novas sobre simultaneidade.

 

Em 1500 já haviam sido impressos pelo menos 20 milhões de livros. Em 1600 Francis Bacon julgava que a imprensa transformara o “aspecto e a condição do mundo”.

 

Importante lembrar que a literatura inicialmente era acessível apenas para os letrados, que pertenciam às classes privilegiadas. Porém, com a necessidade de ampliar o consumo desse novo “nicho”, edições mais acessíveis (vendáveis) passaram a ser editadas, não necessariamente em latim.

 

A Reforma protestante, também teve um papel importante nas publicações que passaram a disseminar conteúdos religiosos em proporções jamais atingidas em diversos territórios nacionais.

 → O que tornou possível imaginar as novas comunidades, num sentido positivo, foi a interação mais ou menos casual, porém explosiva, entre um modo de produção e de relações de produção (o capitalismo), uma tecnologia de comunicação (a imprensa) e a fatalidade da diversidade linguística humana. (pg.78).

 

O livro impresso guardava uma forma constante, capaz de reprodução praticamente infinita no tempo e no espaço. De forma crescente, temos acesso direto às palavras dos nossos antepassados.

 

A convergência do capitalismo e da tecnologia de imprensa sobra a fatal diversidade da linguagem humana criou a possibilidade de uma nova forma de comunidade imaginada, a qual, em sua morfologia básica, montou o cenário para a nação moderna.

 

Importante observar que a formação concreta dos Estados nacionais contemporâneos não guarda nenhuma relação isomórfica com o campo de abrangência das línguas impressas específicas. Cumpre observar o o grande conjunto de novas entidades políticas que surgiram no hemisfério ocidental entre 1776 e 1838.

 

 

 

 

Notas sobre “Dois Atlânticos – Teoria social, anti-racismo, cosmopolitismo” – Sérgio Costa

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Paradoxos do anti-racismo – Os estudos raciais e seus críticos

A desigualdade de oportunidades no Brasil emerge de práticas racistas, onde mesmo sendo uma sociedade que apresenta-se jurídica e politicamente liberal, na verdade funciona com ma sociedade de castas que limita sistematicamente as chances de ascensão social dos grupos demográficos, conforme este se distanciem do conjunto de características físicas que são associadas, imaginariamente, à origem europeia.

 

Embora a existência dessas práticas racistas no Brasil seja um problema indiscutível, as formas de combatê-lo nem sempre são compartilhadas pelos mesmos grupos defensores da inclusão.

 Existe os que defendem a igualdade invariável de oportunidades e competição, porém existem também os que defendem a preservação das identidades existentes no interior de uma ordem social demarcada, respeitando à particularidade cultural.

 

O autor define a primeira forma de anti-racismo igualitarista e a segunda, como anti-racismo integracionalista.

 

A sociologia americana e o racismo no Brasil

 

Quando Theodore Roosevelt esteve no Brasil em 1931 e 1914, escreveu uma série de artigos sobre a relação entre brancos e negros no país em comparação aos Estados Unidos. Acreditava-se que no Brasil havia uma verdadeira democracia de oportunidades e que portanto não havia conflito racial.

 

Entretanto, no decorrer do século XX o número de pesquisas financiadas por empresas norte americanas no Brasil foram aumentando, e os pesquisadores chegaram a afirmações diferentes do que se acreditava, e busca-se combater o preconceito com ações coletivas capazes de reverter a discriminação dos negros no Brasil.

 Discriminação de cor, e não discriminação racial;

A raça como construção social e mecanismo de adstrição e hierarquização;

“ não brancos” tem, sistematicamente menores chances de ascensão social.

 

A discussão sobre políticas adequadas para se combater o racismo no Brasil é difícil.

O apelo a universalidade do princípio da cidadania que normativamente parece correto, é cego perante a história.

 

Não há razões para que os negros brasileiros acreditem no tratamento igualitário prometido pela lei: as práticas sociais se encarregam, sistematicamente, de reintroduzir a desigualdade de oportunidades”. (Pg.213).

 

No plano político-normativo, a discussão sobre o racismo não é menos complexa.

O autor afirma, que quando há racismo, significa que a ordem social, em seu conjunto é particularista, isto é, não é governada por normas de validade geral e nem é orientada por valores universais.

 

O anti racismo precisaria levar em conta tanto a meta da construção da igualdade, quanto a meta da atenção às particularidades culturais, ou seja, precisa ser ao mesmo tepo igualitarista e diferencialista.

 “Para a ação política anti-racista, isto implica a necessidade de atuação, no nível das instituições e das normas, no sentido de que, seja por meio de políticas de ação afirmativa, seja por meio da criação de mecanismos eficientes de criminalização do racismo, a norma universal da igualdade de oportunidades tenha de fato vitalidade. Ao mesmo tempo o anti-racismo precisa ser fortalecido como valor, no plano da integração cultural efetivamente existente”. (Pg.217).

 

 

No Brasil, a população percebe a existência do racismo, falta o passo seguinte que é reconhecer a necessidade de combatê-lo. É preciso ficar claro, que se há pessoas que são prejudicadas em suas chances sociais pelo racismo, há necessariamente aqueles que se beneficiam.

 

Graças aos movimentos negros e as atividades conjuntas no âmbito de uma rede anti-racista transnacional, o tema permanece pauta política brasileira. Entretanto as dificuldades de implantar ações afirmativas se esbarram em questões como o “mito” de uma democracia racial que ainda insistem em celebrar uma nação mestiça e tolerante. Ademais, as políticas devem levar e conta as especificidades do racismo no Brasil, pois nem sempre políticas aplicadas com sucesso em outro contexto nacional podem ser aplicados em uma outra realidade com o mesmo resultado.

 

 

 

Notas sobre “A Produção em Massa de Tradições: Europa, 1870 a 1914” Eric Hobsbawmam

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O fenômeno das tradições como invenções criadas por grupos oficiais e não oficiais (políticos).

As invenções oficiais surgem em estados ou movimentos sociais e políticos organizados, e as não formais por grupos sociais sem organização, ou não diretamente políticos, como grêmios e clubes.

O século XIX apresentou profundas e rápidas transformações que exigiram uma reorganização social que possibilitasse a coesão social. Era necessário novas formas de governos e estabelecer novas alianças, pois as práticas tradicionais já não atendiam os objetivos políticos.

 “A invenção das tradições políticas foi mais consequente e deliberada, pois foi adotada por instituições que tinham objetivos políticos em mente”. (p271).

A política do século XIX era, basicamente, uma política de dimensões nacionais, para fins práticos.

A sociedade civil e o Estado em que ela funcionava se tornava cada vez mais inseparáveis.

 → Estado, nação e sociedade eram fatores em convergência.

Os problemas dos estados e dos governantes eram sem dúvidas muito mais graves onde os súditos se haviam tornado cidadãos, ou seja, pessoas cujas atividades políticas eram institucionalmente reconhecidas como algo que devia ser considerado – mesmo que fosse apenas sob a forma de eleições. (pg.273). Agravaram-se ainda mais, quando os movimentos políticos de massas desafiaram deliberadamente a legitimidade dos sistemas de governo político ou social..l

 A predominância de instituições constitucionais liberais e ideologias liberais tornaram-se urgente frente a necessidade de ampliação da democracia eleitoral e políticas de massa.

 Importante observar que quem controlava todas as metáforas, o simbolismo, as tradições da República, eram os homens do centro mascarados de homens de extrema esquerda: os socialistas radicais proverbialmente “iguais rabanetes, vermelhos por dentro e branco por dentro, sempre indo do lado que mais lhes interessa”. (pg.278).

 Observa-se alguns elementos e mecanismos que são introjetados para solidificar as tradições da República, como no caso da França, que visava tornar camponeses em franceses e franceses em republicanos. Primeiro, a institucionalização do ensino com princípios dirigidos à nova ordem, segundo a inclusão de datas emblemáticas no calendário comemorativo e por fim, os monumentos e edifícios públicos.

 Já as invenções da tradições do Império Alemão, enfrentaram desafios para estabelecer a continuidade entre o Primeiro e o Segundo Império Alemão e enfatizar as experiências históricas específicas que ligavam Prússia ao restante da Alemanha na construção do novo Império em 1871.

Podia-se firmar um nacionalismo apenas por meio de dois artifícios: pelo conceito de um inimigo secular contra o qual o povo alemão havia havia definido sua identidade, e pelo conceito de conquista ou supremacia cultural, política e militar. (pg.282).

 Os edifícios e monumentos eram a forma mais visível de estabelecer uma nova interpretação da história alemã, ou antes uma fusão entre a “tradição inventada” mais velha e romântica do nacionalismo pré 1848 e o novo regime: os símbolos mais potentes foram os que conquistaram a fusão.

 Nos Estados Unidos houve a necessidade de assimilar um fluxo muito grande de pessoas que eram americanas não por nascimento, mais por imigração ao caráter nacional. Os imigrantes foram incentivados a compartilhar práticas que celebravam a história da nação – como a Revolução e seus fundadores (4 de Julho) e a tradição protestante anglo-saxã (Dia de Ação de Graças), em compensação, aceitaram rituais coletivos dos imigrantes, como o Dia de São Patrício, mais tarde o Dia do Descobrimento da América, e inseriu-os no contexto de vida americana.

 Por outro lado, o sistema educacional foi transformado num aparelho de socialização política através da veneração da bandeira americana que, da década de 1880 em diante, tornou-se um ritual diário nas escolas rurais. (Pg.288).

 → nos países que definiam a nacionalidade sob o ponto de vista existencial, podia haver ingleses ou franceses antipatrióticos e sua nacionalidade não seria colocada em dúvida ( a menos que eles também pudessem ser definidos como forasteiros). Nos Estados Unidos, porém, assim como na Alemanha, quem fosse “antiamericano” ou “vaterlandslose” teria seu status efetivo como membro da nação posto em dúvida.

 

Notas sobre “O Brasil Best Seller de Jorge Amado – Literatura e identidade nacional” de Illana Seltzer Goldstein

jorge amado

Alguns conceitos ou de como Jorge Amado pode ser bom para pensar a nação, a identidade e a mestiçagem

Illana Seltzer Goldstein acredita que as obras de Jorge Amado trazem elementos que proporcionam reflexão sobre o fenômeno da identidade nacional. Para tal, a autora pretende contextualizar o período histórico em que as obras foram produzidas, pois o interesse pela identidade nacional é fruto da década de 1930, e a preocupação com este tema é parte do papel atribuído aos intelectuais deste período.

→ Nota minha:

A identidade nacional é uma questão  política que antecede o período datado pela autora.  Isso se verifica em literaturas de outras épocas, a exemplo Silvio Romero da geração de 1870.

Identidade e representação.

A concepção de identidade será abordada como sinônimo de diferença, como num jogo de espelhos.

“as identidades são representações inevitavelmente marcadas pelo confronto com o outro” é o reconhecimento social da diferença. Ou seja, a identidade será tratada epistemologicamente de forma diferente ao sinônimo atribuído pelo dicionário, que associa identidade à semelhança e igualdade.

Relembrando Evans- Pritchard em Os Nuer, a autora enfatiza que um segmento nuer tribal só ganha  contorno em contraposição a outros segmentos tribais, e a unidade de uma tribo só faz sentido em relação a outra tribo. Mesmo sendo um povo segmentário e disperso, os nuer afirmam sua unidade em relação aos Dinkas, quando assumem uma coesão interna para atacar seus inimigos tradicionais.

Do trabalho de Fredrik Barth, a autora resgata a concepção de “grupo étnico”, como aquele que se perpetua biologicamente, compartilha valores culturais, e sobretudo, que conta com membros que identificam a si mesmo e são identificados por outros. (Pg.27). Mesmo com as transformações de práticas culturais, as distinções étnicas são garantidas pela manutenção de fronteiras simbólicas – que estabelecem critérios de exclusão e incorporação.

culturas são dinâmicas, e a identidade, situacional e contrastiva.

O fato do grupo de se entender e ser percebido enquanto grupo que garante a identidade (não se levam para a diáspora todos os seus pertences, mas seus costumes, seus valores e aspectos linguísticos, e etc).

Entretanto a intenção não é sugerir que as culturas tenham uma “essência” imutável ou uma personalidade de base, aprisionada. Mas, a “memória cultural” (definição do alemão Jan Assman) ajuda a compreender a questão das permanências. É essa memória que se refaz de geração para geração. não sendo nunca a mesma, ao mesmo tempo em que não se diferencia por completo. (pg.30).

No Brasil, os autores buscam identificar elementos contrastantes na sociedade brasileira.

Para Roberto DaMatta (argt!), a nossa maneira de nos relacionar seria esse elemento contrastante.

“Ao mesmo tempo em que reina entre nós a uma combinação paradoxal entre hierarquia e solidariedade, entre autoritarismo e camaradagem – o que permite que os patrões explorem seus funcionários ao mesmo tempo em que conversam com eles sobre intimidade”.

Somos uma sociedade contraditória, em que impera o “jeitinho brasileiro” e por outro lado imperam regras rígidas de ordem e deferência, traduzidas por expressões arrogantes “você sabe com quem está falando”, seria um exemplo.  Maria Lúcia Montes sugere uma verdadeira cultura de festa, barroca em suas matizes, impregna em profundidade o fazer e o sentir brasileiro. Lilia Scharwarez, por outro lado, considera a “fábula das três raças” nossa persistência, sendo a mestiçagem nossa singularidade.

Émeli Durkheim escreveu que a vida social é constituída de “representações coletivas” – imagens e ideias geradas por meio do encadeamento entre consciências individuais, que acabam ultrapassando-as e tornando-as autônomas. Representações coletivas, portanto, podem ifluir nos fatos sociais. ” Uma sociedade não é constituída simplesmente pela massa de indivíduos que a compõem, pelo solo que ocupa, pelas coisas de que serve, pelos movimentos que realiza, mas, antes de tudo, pela ideia que faz de si mesma”. (As formas elementares da vida religiosa –  E. Durkheim).

A noção de representação social é entendida como sinônimo de um saber ordinário elaborado a partir de crenças e valores, capaz de criar uma visão comum a cerca de objetos pessoas e eventos. Ao contrário do conceito de “ideologia”, que em algumas interpretações do materialismo histórico, corresponderia a uma mentira e ao massacramento da realidade por parte da “classe dominante”. (pg.33).

→ quando se analisam representações, mais importante do que provar sua (falta de) verdade objetiva é compreender sua eficácia social – porque e para quem fazem sentido.

→ Nota minha:

somente tendo essa frase bem grifada, Roberto Damatta faz algum sentido pra mim, tendo em vista que a identidade malandra foi construída coletando alguns elementos da sociedade brasileira e elevado ao todo, fazendo sentido a interesses específicos em contextos políticos específicos. Ler Roberto Shwartz elucida essa questão.

Nação e nacionalismo

A coesão de uma nacionalidade não pode ser dada por um recorte territorial, pela raça, pela língua ou pela religião. Existem nações com várias raças território flutuante e assim por diante. (Ernest Renan).  Existiria na nacionalidade um lado sentimental, um “princípio espiritual”.

Benediet Anderson conhece a nação como uma comunidade política imaginada, em que não se conhece a maioria dos outros membros, mas sente solidariedade por eles.

As nações não são reavivadas ou acordadas de um grande período de sono pelos movimentos nacionalistas, ao contrário, o nacionalismo é que cria nações, selecionando elementos culturais pré existentes e transformando-os.

As tradições inventadas, para Eric Hobsbawn, consistem num conjunto de práticas reguladas por normas aceitas explicita ou tacitamente, que visam inculcar valores e comportamentos pela repetição. (pg.36)

→  Nota minha: a crítica da filósofa Marilena Chauí, que considera a nação como uma ficção decorrente das necessidades do capitalismo” é facilmente contra-argumentado pela autora. Porém, vale ler o livro Mito Fundador e Sociedade Autoritária (Chauí) para ver que não é tão simples assim contra-argumentar.

 Os anos 1930 no Brasil: unificação cultural e eleição de símbolos nacionais

→ As ideias de nação e nacionalismo assentam-se sobre a padronização cultural e sobre a (re)invenção de tradições.

Os anos de 1930 no Brasil, marcam a tentativa de homogeneização de uma cultura nacional, a aproximação entre o Estado e a criação cultural e a viabilização de um campo literário autônomo.

→ Nota minha: Observar o momento político no Brasil: porque motivo o Estado em 1930 buscava uma hegemonia nacional? Havia a necessidade política de estruturar a economia com um Estado centrífugo, canalizador de todas as demandas sociais e políticas. Os intelectuais, que segundo a autora possuíam autonomia, compactuavam com estes interesses quando produziam ideias sobre o que é ser brasileiro na literatura. A crítica de Chauí e Roberto Shartwz só fazem sentido se nunca perdemos o contexto político em que certas afirmações se deram sobre o caráter nacional e , se lembrarmos a quem interessava certas concepções, hoje repetidas, se caracterizando pelo tal “mito” da identidade falado por Chauí.

Jorge Amado iniciou sua produção literária nessa época, e aparece enquadrado nos compêndios de literatura dentro do grupo dos regionalistas. Torquato Neto, um tropicalista, considera que nessa época perdeu-se aos poucos, o medo de mostrar ao mundo que éramos um país de fato subdesenvolvido, miserável, mas ao mesmo tempo rico.

A autora resgata informações do historiador Nicolau Seveenjo sobre o envolvimento político de Getúlio Vargas nas produções literárias. Vargas discursou em 1943 na Academia Brasileira de Letras ” a simbiose necessária sobre homens de pensamento e de ação”. Durante o governo de 1930-1945, boa parte da intelectualidade brasileira esteve reunida em torno de si: Carlos Drummond de Andrade no Ministério da Educação e Saúde, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer e Cândido Portinari projetando e decorando para o governo, o crítico Augusto Meyer na chefia do Instituto Nacional do Livro, Ribeiro Couto e Murilo Mendes  no corpo diplomático, Manuel Bandeira como membro consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), cuja primeira versão fora idealizada por Mário de Andrade. (Pg.47).

→ Nota minha: O Estado agindo como elemento centrífugo, trazendo para si intelectuais que estavam compactuando com a projeção de uma identidade nacional. Identidade essa, que Damatta irá classificar por “malandra” anos depois.

Nota 2:

a crítica de Chauí volta a ter sentido se nunca perdemos de vista o papel do Estado no cenário político e econômico em que certas afirmações se deram. Não surge tais temas de forma inocente e poética como o texto induz pensar. Deve-se sim pensar sempre o campo político em que suscitam estas questões.

É nesse período que as ideias regionalistas de Gilberto Freire influenciaram fortemente a representação amadiana do Brasil. A identidade nacional calcada na mestiçagem, que sustentou a seleção de símbolos nacionais nos anos de 1930 foi matéria-prima de Jorge Amado ao longo da sua vida e obra.

Mesmo sendo um membro da ALN (Aliança Nacional Libertadora), ou seja, um opositor do Estado Novo e tendo alguns dos seus livros queimados, Jorge Amado declarou algumas vezes sua posição favorável a algumas políticas adotadas por Vargas, considerando-o catalisador da industrialização e o mérito por ter criado uma legislação trabalhista.

Em 1930 pairava uma atmosfera nacionalista – nas tentativas de unificar e compreender o país, observa-se o papel dos intelectuais junto ao Estado.

 Considerações finais. O Brasil Beste Seller de Jorge Amado: Consenso e originalidade

Nós não omos isso ou aquilo, nós somos tudo: branco, negro, índio. É isto que faz a nossa singularidade e nos dá uma importância real”. Jorge Amado, apud Antônio Fernando e Francheschi.

A mestiçagem teria gerado um povo sem barreiras, em que pessoas de todas as camadas sociais e origens étnicas convivem harmoniosamente.

Nota (irônica) minha: Dessa forma, podemos afirmar que não há preconceito, segregação e desigualdade social no Brasil tipificados pela questão racial. Né? Afirmação irreal e inconsequente desses autores! Aqui, leva-se a crer que somos um país “bonito por natureza” e que políticas públicas para inclusão de negros, mulatos e pardos é perca de tempo, já que vivemos em uma “verdadeira democracia racial”.

→  Nota extremamente pessoal: Paus mandados do Estado Varguista! Se estou com raiva da produção intelectual de 1930 – esperem pra ver o que surge em 1945….uma desgraça intelectual. Precisamos consertar isso, urgente! Culpo os intelectuais por parte das mazelas sociais desse país. Costumamos culpar sempre o que mal sabem ler e escrever, ou “o que não sabe votar”. Mas os que dispõem de ferramentas de combate prestam serviços ao Estado e deserviços ao povo. Florestan Fernandes é que estava certo em ser um sociólogo “engajé”. Afirmou sabiamente que, ou se está do lado do opressor ou se está do lado do oprimido. Vejam de que lado estão estes intelectuais que estão produzindo ideias sobre a nossa identidade nacional. Identidade essa que repetimos cotidianamente pelo senso comum. Acreditamos que somos malandros com repulsa ao trabalho – quando somos um dos povos que mais trabalham em termos de horas produtivas no mundo! Malditos intelectuais!

Voltemos ao texto.

“A democracia racial chegou mesmo a servir ao discurso dos governos militares, fornecendo o cimento simbólico da integração forjada pela ideologia da Segurança Nacional. O conselho Federal de Cultura, criado em 1966 por Castelo Branco, promoveu a ideia do Brasil “cadinho de raças”, enfatizando em vez de heterogeneidade de nossa composição social e cultural, a harmonia entre regiões e realidades diferenciadas”. (Pg. 247)

→ Nem merece nota esse trecho que por sí já diz tudo. Chegamos em 1966….com um discursinho aparentemente inofensivo, produzido de cima pra baixo sobre nossa identidade nacional.

Uma pesquisa produzida pelo Datafolha em 1995 mostra o quanto essa ideia tem ressonância no senso comum. Dos cerca de 5 mil entrevistados, a maioria (73%) concordou que “uma coisa boa do povo brasileiro é a mistura das raças”. A autora joga esse dado e não discute muito sobre, mas vale observar que vinculada a essa miscigenação, o senso comum também acredita que somos de fato uma democracia racial, o que inviabiliza discussões mais profundas para combater o preconceito e a desigualdade social do país.

A representação da identidade brasileira mestiça e tolerante não supõe somente o esquecimento dos horrores da escravidão africana. Ela põe também entre parênteses a violência, mais ou menos direta, contra outros grupos étnicos que participaram e participam da formação da nação: o desprezo da sociedade nacional em relação às populações indígenas, desde a Colônia aos dias de hoje, as péssimas condições de trabalho e maus tratos infligidos a imigrantes europeus e asiáticos, no inpicio do século XX, o anti-semitismo do Estado Novo durante a Segunda Guerra. (Pg.279).

→ Nota: A autora toca em uma questão que me inquietou em todas as notas que redigi.

 Muito bem associado, citar Florestan Fernandes em uma das notas acima. A autora lembra que um dos críticos dessa suposta democracia racial é o ele mesmo: Florestan Fernandes, que fez várias pesquisas denunciando o caráter da democracia nacional ser uma “consciência falsa” que permitia às camadas dominantes manter seus privilégios e reter a ordem social competitiva. (Pg. 280).

O antropólogo Kabengele Mununga vê o sincretismo como uma “ideologia” ou “mito fundador” como prejudicial, pois dificulta a formação de consciência e identidade dos grupos oprimidos. Empréstimos culturais e segmentários étnicos dificultariam aqui a formação de “ação afirmativa” e com identidade racial e cultura puras.

No Brasil, impera um preconceito de marca e não de origem, como salienta Oracy Nogueira.

Nas obras de Jorge Amado é possível encontrar ao menos 37 cores diferentes, que vão desde “mulato-quase branco, brancarrona, bronzeado, encardidinha, cor de formiga, morena azulada, pele trigueira, pálido, tição e vermelho”. Essa aquarela de cores se encontra também em pesquisas do Pnad, que ao indagar à população sobre sua cor, encontra respostas semelhantes as descritas por Jorge Amado.

O preconceito no Brasil está ligado ao fenótipo e não à origem, como os Estados Unidos.

Em Tenda dos Milagres, o negro Tadeu Canhoto passa a ser chamado de moreno, no momento em que seus sogros ficam sabendo que ele está estudando engenharia.

A autora conclui que Jorge Amado criou estereótipos e representações da baianidade/brasilidade para ter sucesso. Mas, na Bahia real existem Gabrielas. Nina Rodrigues esteve no livro com o pseudônimo de Nilo Argolo. A sensualidade narrada por Jorge Amado não está presente só em seus personagens, como também em seu criador.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Confesso que vivi – Pablo Neruda

Image Para quem é fã do poeta, militante e escritor chileno Neftali Reyes Basualto, conhecido pelo pseudônimo Pabrlo Neruda (inspirado no escritor checo Jan Neruda), e também para quem deseja conhecer um pouco mais sobre aquele que viveu casos de amores com a poesia e com o socialismo, vale a pena ler esse livro que é uma obra quase autobiográfica.

“Um poeta deve estar sempre apaixonado, até o último minuto de sua vida”, confessou à jornalista Maria Esther Gillio, em uma entrevista em 1970.

Neruda,  foi um firme defensor do governo socialista e um forte opositor do golpe de Estado de Augusto Pinochet.

O escritor morreu 12 dias após o golpe militar de Augusto Pinochet,  há 40 anos, e hoje a justiça investiga se ele teria sido assassinado.

Após o suicídio de Allende no palácio de La Moneda, Neruda, Prêmio Nobel de Literatura 1971 e comunista, era talvez a figura mais emblemática do caminho traçado pelo Chile para o socialismo, que tantas esperanças despertou.

O golpe militar pegou o poeta de surpresa em sua casa em Isla Negra, uma pequena cidade na costa do Pacífico, quando já sofria há anos de câncer de próstata, que o havia afastado da vida pública.

Nos dias seguintes, as forças golpistas sitiaram Neruda e ocuparam sua casa.

“Olhem em todos os lugares, a única coisa perigosa que encontrão para vocês: Poesia”, disse Neruda aos opressores.

Confesso Que Vivi aproxima o leitor desse que foi e ainda é um dos nomes mais importante da poesia latina, e uma das figuras emblemáticas do Chile.

Confesso que Vivi – Pablo Neruda

 
Estas memórias ou recordações são intermitentes e por vezes fugidias na memória, porque a vida é precisamente assim. É a intermitência do sono que nos permite aguentar os dias de trabalho. Muitas das minhas recordações desvaneceram-se ao evocá-las, ficaram em pó como um vidro irremediavelmente ferido.
As memórias do memorialista não são as memórias do poeta. Aquele viveu talvez menos, mas fotografou muito mais, recreando-nos com a perfeição dos pormenores. Este entrega-nos uma galeria de fantasmas sacudidos pelo fogo e pela sombra da sua época.
Não vivi, talvez, em mim mesmo; vivi, talvez, a vida dos outros. De quanto nestas páginas deixei escrito se desprenderão sempre — como nos arvoredos de Outono, como no tempo das vindimas — as folhas amarelas que vão morrer e as uvas que reviverão no vinho sagrado.
A minha vida é uma vida feita de todas as vidas – as vidas do poeta.”