A questão judaica – Uma breve análise.

Para discorrer sobre a questão judaica, deve-se analisar o termo “judeu” e suas aplicações. Segundo o dicionário, judeu é “o natural ou habitante de Israel, ou aquele que pratica o judaísmo. Porém, em alguns casos, inclusive no dicionário Luft da editora
Scipione (1), Judeu aparece como sinônimo de indivíduo avarento.

Esses múltiplos sentidos e toda essa confusão dos termos empregados, deve-se a um longo período histórico no qual um povo buscou e continua buscando sua autonomia social através da economia. Para compreensão dessa complexidade histórica, faz-se necessário uma pequena análise dos contextos de épocas nas quais o povo Judeu iniciou sua jornada pelos quatro cantos do mundo. Para retornarmos ao passado necessitamos de extrema cautela, pois alguns dados são fragmentos ou resquícios do que sobrou de documentos e relatos colhidos por especialistas como Abraham Leon.

O fato, é que os judeus habitavam um país geograficamente montanhoso, e tiveram que optar entre viver na pilhagem ou a emigração. Muitos deles optaram pela emigração e tinha o comércio como fonte de subsistência. Os países vizinhos de Israel, no continente Asiático foram os primeiros a receberem os judeus como imigrantes e foram esses judeus os primeiros a estreitar laços comerciais entre o Oriente e Ocidente. Analisando desta forma, poderíamos denominá-los não somente como um povo, mas como um “povo-classe” (2), pois possuíam uma noção pré-capitalista do consumo, ou seja, provocavam um surto econômico nas cidades por onde passavam. “… os judeus participavam do capitalismo “aventureiro”, político ou especulativo” Max Weber(3). É equívoco porém, afirmar que todos os judeus possuíam um poder aquisitivo relevante. Muitos pertenciam à camada pobre da população.

Quando Roma vivia em seu período feudal, os comerciantes judeus eram bem vistos pela sociedade e apoiados pelo Império (inclusive a Igreja). Os produtos comercializados por eles eram disputados e seu status era elevado, devido ao seu poder de acúmulo. Alguns judeus eram inclusive nomeados membros do Estado, representando cidades, participando de reuniões e conselhos entre senhores do feudo.

Com a evolução mercantil da economia medieval, os judeus sofrem grandes consequências, pois novos comerciantes surgem: os cristãos. Com grande capacidade de ascensão social, iniciam as perseguições aos judeus, revestidos de ódio e sob o manto da santa igreja.

Com o desenvolvimento da economia, os judeus são excluídos da sociedade, e acusados de usura. A nobreza, muitas vezes estava endividada, e devia grande parte do
seu tesouro aos judeus. Todos aqueles que pertenciam ou simpatizavam com a cultura judaica, são severamente punidos, não somente em Roma, como em outros países da Europa, como Inglaterra e França. Assim, progressivamente os judeus são expulsos de todos os países do ocidente e sofrem represálias cada vez mais violentas.
Alguns judeus optaram por fugir para países onde ainda o sistema capitalismo não havia penetrado como a Turquia, outros se assimilaram a religião cristã, denominados “cristãos novos”. A Inquisição se empenhou para afunilar estes laços com estes judeus que resistiam para permanecer integrados na sociedade que os perseguia.
É, portanto, perceptível que estas perseguições possuem traços meramente comercias, não diferente do que ocorreram séculos depois na Alemanha nazista. O que ocorreu na Alemanha foi a ascensão social do povo judeu, que assustava o povo alemão em um período de crise pós- guerra (4). O povo alemão, sob o comando de Hitler, aplaudia discursos em praças públicas, que prometiam uma breve recuperação do país e uma perseguição aos “sanguessugas” do Estado.

Deduzido a partir das exposições acima, pode-se afirmar que a questão judaica é uma complexa jornada histórica, no qual um povo é expandido pelo mundo sobrevivendo do comércio e sua usura, alimentando diversos Estados e quando estes, não mais necessitam dos judeus ou passam por um período de crise econômica, voltam-se contra eles, alimentando discursos quaisquer a fim de justificar suas crueldades e perseguições.

Anúncios

Marcado:, ,

Um pensamento sobre “A questão judaica – Uma breve análise.

  1. Juca Crispim 29 de junho de 2010 às 16:15 Reply

    Muito legal. Gostei desse enfoque econômico da coisa.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: