Vamos falar um pouco da educação?

Após conhecer algumas teorias dos métodos de ensino, e discutirmos muito em sala de aula as metodologias aplicadas  nas escolas (publicas e particulares),  é comum focarmos a questão de políticas públicas sociais e de infraestrutura. É fato, que nesses aspectos encontram-se os maiores problemas e talvez os mais visíveis da educação. Entretanto, ao falarmos de problemas sociais, não devemos deixar de analisar o que constitui essa sociedade, que são evidentemente as pessoas. Costumamos apontar para as individualidades dos alunos,  em especial nas suas vivências particulares que corresponde as suas expectativas dentro e fora das esc0las. Ao falarmos dos educadores, costumamos discutir as metodologias aplicadas, a formação acadêmica e a questão econômica (investimento publico).

O problema, ao meu ver, é que mesmo que estejamos falando em individualidades esquecemos de focar o professor em seu universo pessoal, ou seja, os objetivos e sentimentos que os motivam a estarem em sala de aula. Hoje, em especial no Brasil, é comum encontrarmos resistência a essa profissão pois existem novos símbolos em torno do sistema acadêmico. Tornar-se professor é tornou-se vezes uma alternativa para aqueles que não se encaixam em outros segmentos de trabalho. Claro, que não podemos generalizar. Existem aqueles que almejam uma mudança na educação para que melhorias aconteçam. Porém, temos um inimigo oculto entre esses que apresentam boa vontade. Entre eles existem os que carregam dentro de sí, a necessidade de serem escutados e utilizam a sala de aula para expor suas ideias, ideais e frustrações.

Weber já apontava para esse problema, ao enfatizar que a sala de aula não pode e não deve tornar-se um espaço para imposições de idéias, o autor enxergava nessa situação um perigo que sondava as escolas não só da Alemanha, como também nos EUA. Hoje, podemos encontrar em sala de aula (e com muita frequencia) aqueles que se consideram detentores de verdade, e utilizam de seus alunos, que estão em posição propensas a absorverem estas idéias, para inflar o seu egocentrismo. Está aí, um problema camuflado no meio acadêmico. Professores que utilizam do conhecimento de forma negativa.  Como diz o velho ditado “o conhecimento é uma arma” e os romanos sabiam muito bem disso,  quando utilizavam as escolas para controlar suas províncias, inserindo através da linguagem, a cultura romana para se fortalecerem. Os professores “problema” que aponto, são exatamente estes que utilizam a sala de aula para fortalecerem suas idéias. Encontram alunos sentados prontos para escutá-lo. E estes tornam-se alvos de pregadores.

O sistema educacional não deve perder seu princípio, que é convidar o aluno a pensar e desenvolver suas próprias idéias, e não torna-los receptores de idéias prontas. Existem diferentes correntes ideológicas, e é importante que o aluno tenha essa percepção e passe a se enxergar como membro ativo de um corpo social. Essa é a principal meta que deveria ser trabalhada. Mas se temos educadores dispostos a impor pontos de vistas, ou os alunos se afastam da matéria proposta a ser trabalhada, ou serão eternos repetidores de discursos prontos. É importante que surjam os debates,e  que os professores mostrem de maneira clara o lado que estão. Mas é importante que seja apresentado ao aluno através da reflexão, a possibilidade de fazer suas próprias escolhas.

Tornar-se professor sem fazer parte do problema é uma tarefa árdua, pois muitos acreditam que essa seria a melhor forma de abrir a mente dos alunos, sem perceber que esse método os leva a alienação novamente.

” O nascimento do pensamento é igual ao nascimento de uma criança: tudo começa com um ato de amor. Uma semente há de ser depositada no ventre vazio. E a semente do pensamento é o sonho. Por isso os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam ser especialistas em amor: intérpretes de sonhos.”
( Rubem Alves )

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