Opressão na América Latina

Após ler a obra  As Veias Abertas da América Latina de Eduardo Hughes Galeano, pude sentir uma mistura de dor e revolva, orgulho e tristeza pelos acontecimentos que marcaram a nossa história. Ler esse livro nos faz sentir o sangue latino pulsar, a mente vibrar e quem sabe sonhar com dias melhores para esse povo tão sofrido e explorado.

“É a América Latina, a região das veias abertas. Desde o descobrimento até nossos dias, tudo se transformou em capital europeu ou, mais tarde, norte-americano, e como tal tem-se acumulado e se acumula até hoje por distantes centros de poder. Tudo: a terra, seus frutos e suas profundezas, ricas em minerais, ou homens e sua capacidade de trabalho e de consumo, os recursos naturais e os recursos humanos”  Fernando Augusto Azambuja de Almeida. 

 

Reproduzo na íntegra a  narrativa de Eduardo Galeano sobre a triste tragetória de  Tupac Amaru, índio descendente direto dos Incas que representa a luta pela liberdade latino americana.

A nostalgia combatente de Túpac Amaru

Quando os espanhóis irromperam  na América, o império teocrático dos incas estava em seu apogeu, estendendo seu poder sobre o que hoje chamamos de Peru, Bolívia e Equador, abarcando parte da Colômbia e do Chile e chegando até o norte argentino e à selva brasileira; a confederação dos astecas tinha conquistado um alto nível de eficácia no vale do México; em Yucatán e na América Central a esplêndida civilização dos maias persistia em todos os povos herdeiros, organizados para o trabalho e a guerra. A esperança de renascimento da dignidade perdida incendiaria numerosas sublevações indígenas. Em 1781, Túpac Amaru sitiou Cuzco. Este cacique mestiço, descendente direto dos imperadores incas, encabeçou o movimento messiânico e revolucionário de maior envergadura. A grande rebelião estourou na província de Tinta. Montado no seu cavalo branco, Túpac Amaru entrou na praça de Tugasuca e, ao som de tambores e pututus, anunciou que havia condenado à forca o corregedor real Antonio Juan de Arriaga, e dispôs a proibição da mita de Potosí. A província de Tinta estava ficando despovoada por causa do serviço obrigatório nos socavãos de prata da montanha. Poucos dias depois, Túpac Amaru expediu um novo comunicado pelo qual decretava a liberdade dos escravos. Aboliu todos os impostos e o repartimiento de mão-de-obra indígena em todas suas formas. Os indígenas se juntavam, aos milhares, às forças do “pai de todos os pobres e de todos os miseráveis e desvalidos”. À frente de seus guerrilheiros, o caudilho lançou-se sobre Cuzco. Marchava pregando seu credo: todos os que morressem sob suas ordens nesta guerra ressuscitariam pra desgrutar as felicidades e riquezas de que tinham sido despojados pelos invasores. Sucederam-se vitórias e derrotas; no fim, traído e capturado por um de seus chefes, Túpac Amaru foi entregue, amarrado com correntes, aos espanhóis. Em seu calabouço, entrou o visitador Areche para exigir-lhe, em troca de promessas, os nomes dos cúmplices da rebelião. Túpac Amaru respondeu-lhe com desprezo: “Aqui não há mais cúmplice que tu e eu; tu por opressor, e eu por libertador, merecemos a morte”. Túpac Amaru foi submetido a suplícios, junto com sua esposa, seus filhos e seus principais partidários, na praça do Wacaypata, em Cuzco. Cortaram-lhe a língua. Amarraram seus braços e pernas em quatro cavalos, para esquartejá-lo, mas o corpo não se partiu. Decapitaram-no ao pé da forca. Enviaram sua cabeça para Tinta. Um de seus braços foi pra Tungasuca e o outro para Carabaya. Queimaram uma perna paraSanta Rosa e a outra para Livitaca. Queimaram-lhe o tronco e jogaram as cinzas no rio Watanay. Recomendou-se que fosse extinta toda sua descendência, até o quarto grau. As Veias Abertas da América Latina – Eduardo Galeano.

Tupac Amaru, Joaquim José da Silva Xavier  (o Tiradentes brasileiro), Símon Bolívar, José Maria Morelos, Ernesto Che Guevara, Salvador Allende, Óscar Romero e quantos mais precisarão morrer pela liberdade do povo opromido da América Latina?

Fiz questão de publicar aqui nesse humilde blog o texto extraído da obra de Eduardo Galeano, pois me recordo que a pouco tempo buscava informações mais precisas sobre Tupac Amaru e observei o quanto as informações estavam falhas.  Ao ler As veias abertas da América Latina, me senti no dever de compartilhar o processo de lutas e opressões denunciadas pelo autor.

Na América Latina, a liberdade de expressão consiste no direito ao resmungo em algum rádio ou em jornais de escassa circulação. Os livros não precisam ser proibidos pela polícia: os preços já os proíbem. ~ Frase de Eduardo Galeano

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Um pensamento sobre “Opressão na América Latina

  1. conceição lopes 5 de setembro de 2013 às 10:12 Reply

    isso n era que eu tava procurando mas me ajudou um pouco

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