A sociologia do trabalho

Devemos considerar os aspectos da divisão do trabalho para analisarmos a questão da sociologia do trabalho. Para Marx, esta divisão do trabalho social ocorre em um sistema capitalista em que as funções e os salários precisam ser divididos entre os homens que desenvolvem basicamente as mesmas funções. Durkheim analisa a divisão social do trabalho, e atribui à solidariedade orgânica esse sistema de divisão, no qual define como natural do homem. De fato, se analisarmos o trabalho dos animais (usarei o exemplo de Braverman) o trabalho de uma aranha tecelã, ela desenvolve tal tarefa pois é de sua natureza e não pode designar sua função a outra aranha. O homem deixa de ter tarefas naturais, e estabelece diferentes trabalhos sociais (o médico, o enfermeiro) esta divisão é a exposta por  Durkheim como natural, entretanto Marx aponta o problema da divisão técnica do trabalho, que é aquela divisão que vai separar o processo de trabalho, onde por exemplo um sapateiro passará a cortar o couro, enquanto outro somente cola os moldes.

Desta forma um trabalho passará a valer mais que outro, e nenhum dos dois sapateiros saberão desenvolver um processo de confecção de sapato. O mesmo ocorre com o padeiro exemplificado pelo Richard Sennet, que deixará de produzir manualmente o pão e passará a utilizar máquinas em seu processo de trabalho. Essas mudanças não só alimenta a desigualdade social entre os homens, como também influência diretamente na concepção de cada homem sobre a sua realidade. O trabalhador moderno vive sobre a pressão do mercado, que cobra cada vez mais especializações dentro de um universo que oferece condições de ascensão social, e a tal mobilidade dependerá exclusivamente de cada homem, provocando sensações diferentes tipos de sensações no trabalhador e o individualismos da sociedade. O caráter do homem passa a ser moldado de acordo com as expectativas e resultados do mercado. O modo de vida de cada trabalhador visa atender as necessidades do mercado de trabalho, quando deveria ser o oposto. O homem não mais trabalha para garantir o mínimo necessário para sua sobrevivência (cada qual sua capacidade, cada qual sua necessidade) o homem vive em uma luta constante para garantir a sobrevivência de um sistema capitalista, no qual quem ganha mais é justamente o que não trabalha, e o que trabalha não possui os meios de produção e deve-se se submeter às condições flexíveis que o mercado exige.

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Um pensamento sobre “A sociologia do trabalho

  1. Juca Crispim 27 de julho de 2011 às 1:13 Reply

    Muito bom! 🙂

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