Rede Bobo de Televisão

 

Há quem diga que essa emissora possue integridade e representatividade nacional, mas esse é o discurso dos que defendem a idiotização do pensamento nacional, a privatização dos nossos patrimônios, a banalização da educação e a discriminação das classes disprivegiadas.

Ontem, por acaso pude ver cenas da novela das oito, que não me dou ao trabalho de saber o nome.

Percebi que além da banalização de temas voltados a exploração infantil, diversos assuntos são jogados ao acaso, sem que uma discussão proveitosa surja em prol da sociedade.

Essa emissora, além de todos os adjetivos que já usamos possui um papel que deveria ser considerado um crime a nação. Ridiculariza a população, e o que ficou mais nítido é a discriminação racial. Observei que não havia sequer um personagem negro na novela. Os atores não só eram brancos, como eram extremamente brancos. Porque  utilizar o termo “extremamente”? Ora, somos um país composto de negros, brancos, mulatos, mamelucos e muitas outras misturas. A Rede Bobo de Televisão parece ser gravada em outro páis, aquela população do Projac parece ocupar qualquer região européia, mas não é nem de longe semelhante a etnia da população brasileira. Isso é um crime!  Em 1884 Joaquim Nabuco publicou a obra “O abolicionismo” denunciando o que ocorria na Velha Republica e o que seria da nova se não tivessemos consciência da importância da miscigenação que compõe a sociedade brasileira. O que vemos é que caminhamos para o passado, é um retrocesso histórico. Estes são sem dúvidas, inimigos da pátria. Alguns insistem em fingir que não existem negros e índios em nosso país. O que mais chama a atenção é que a programação global é transmitida em todo o país, e que essa população infelizmente acredita que possue quaisquer semelhanças com os personagens criados pela imaginação de alguns autores e diretores que envergonham qualquer sociólogo ou antropólogo.

Darcy Ribeiro em O Povo Brasileiro fez um rico estudo sobre a composição e transformação do povo brasileiro. Mostra todo o processo de colonização, exploração e submissão de povos que hoje lutam pela sua sobrevivência, igualdade e inserção social. Todos esses aspectos são pisoteados a cada capítulo global, em que é inserido na população a idéia de que o rico sempre é branco, e o pobre e negro é invisível. Assim como toda ideologia dominante, ela não é imposta diretamente, mas através de símbolos.

Obviamente não devemos colocar em descrédito o trabalho de atores como Fernanda Montenegro que aparecem nas telenovelas, pois estes buscam assim como muitos pela arte da interpretação. O foco em descrédito é o enredo banal, a colocação superficial da realidade brasileira, a falta de compromisso como divulgadores de informações, visto que esse é o principal objetivo dos meios de comunicação.

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