Microfísica do Poder.

Posto aqui, humildemente a resenha sobre o texto de Roberto Machado – Por uma Genealogia do Poder, baseado no livro Micro Física do Poder – Foucault,M.

Comentários acrescentadores são sempre bem vindos!  

 Por uma genealogia do poder – resenha do texto de Roberto Machado

 Roberto Machado inicia o texto apresentando a importância no trabalho de Foucault em descrever     as relações de poder e suas principais características. Foucault desenvolve trabalhos de pesquisa com o objetivo de formular uma metodologia com fundamentos arqueológicos do poder. Esses trabalhos em suma, visam analisar e estabelecer relações entre o desenvolvimento dos saberes e as práticas de poder.

           O autor não invalida o passado, e considerou que a arqueologia buscava compreender como as instituições do saber apareciam e transformavam as instituições de saber, e se apropriou desses métodos para compreender entender o porquê e não somente como é formada essa estrutura. Foucault buscava compreender o aparecimento dos saberes apartir de condições externas aos próprios saberes, e para isso estudou a questão do poder em outros textos para produzir uma análise capaz de explicar a produção dos saberes.

           Foucault possui uma análise crítica sobre a construção dos saberes, do fazer ciência. Segundo ele todas as análises e teorias são resultados de um contexto histórico em que variantes como o momento, as revisões e a situação históricas contribuem para a finalização do resultado, que posteriormente poderá ser alterado, ou seja, o saber é algo é inacabado.

            A partir dos materiais de pesquisas, Foucault afirma que Estado e poder estão diretamente ligados, como uma sinonímia, porém os poderes são exercidos diferentes do Estado, para manter sua ação eficaz.  Essa análise visa apontar as diferentes formas de atuação do poder estatal e as suas transformações. Conforme as características de cada grupo social ele assumo formas diferentes, tornando-se parte do corpo social, ingressando no cotidiano, essas formas de poderes serão categorizadas como “micro” ou “sub” poderes.

            Denominada microfísica do poder, essa teoria visa analisar a estrutura onde o poder encontra-se intimamente ligado ao social, as suas rotinas e se modela de acordo com as especificidades de cada região. Para o autor, as realidades diferentes exigem mecanismos de poder diferentes.

            O aparelho de Estado pode ou não está diretamente ligado com esses micro-poderes, o que ocorre é que eles formam uma coisa maior, uma rede de poderes com relativa independência ou autonomia, o que aponta para uma consequência política.

            O objetivo do autor é “dissecar e esquadrinhar teoricamente as relações de poder para servir de instrumento de luta e resistência articulado com outros instrumentos contra essas mesmas formas de poder”. Ele percebeu que não basta como muitos pensam destruir o Estado para acabar com o poder que teoricamente ele exerce, ele percebeu que existe algo que surge de baixo para cima e que impera sobre ele. Essas formas de poderes formam uma coisa maior, um sistema de articulação política eficiente para obter controle social. Esse sistema de pequenos poderes integrado ao Estado repercute na vida social.

 O poder não existe como uma coisa ou um objeto. O poder é uma prática social, uma construção histórica e o que existem são práticas ou relações de poder. Ou seja, “é algo que se exerce, se efetua, que funciona”. É uma relação, que estende seus mecanismos para toda a esfera social, dessa forma fica mercê da circunstância o indivíduo estabelecer o seu ato de poder. Poderíamos dizer de totalidade, pois repercute em todas as esferas da vida social. Essas ações estão sempre presentes e se alastram por toda sociedade.

 A resistência também é móvel. “Onde há poder há resistência”. O autor resiste às concepções que relacionam as formas de poder exclusivamente aos fatores econômicos.

           Ele analisa essa rede de poder como pequenas moléculas que formam uma estrutura celular, e denomina esse método de análise como “descendente”, pois deduziria o poder a partir do Estado, procurando compreender até onde ele se prolonga nas esferas mais baixas da sociedade. O que Foucault pretendia, longe de excluir o papel do Estado como fator importante da esfera do poder, era chamar a atenção para a idéia que se tinha de que o Estado era o único instrumento responsável pela centralização do poder, era como se o autor estivesse dizendo que todos estavam olhando para o inimigo errado, e que é importante ficarmos atentos as conseqüências das transformações históricas nesse período. O mundo moderno havia sofrido mudanças após a Revolução Francesa, e conseqüentemente as necessidades de determinados grupos de poderes também haviam sofrido conseqüências, alterando assim suas articulações e tornando-se cada vez mais invisíveis para analisarmos sem uma cautela criteriosa e metodológica. Outros autores estavam todos focados no Estado, enquanto os micro-poderes tornavam-se cada vez mais autônomos em suas ações, e articulando politicamente as ações desse Estado. Dessa forma o autor resiste à idéia anterior de diversos autores de que o poder está exclusivamente ligado a questão de mercadorias. Foucault observa as relações das pessoas no sistema prisional e afirma que o poder não está somente ligado a questão jurídica, e a utilização da força. A repressão capitalista não conseguiria se manter se fosse mantida unicamente pela força.O poder sempre apresentado como forma negativa “castigo”, “força” e “repressão” possui também características positivas e por isso passam despercebidas como formas de poder, em sua positividade ele aprimora o indivíduo para adestrá-lo. Ou seja, essas formas de poder não tem como principal interesse destruir o homem, e sim estimulá-lo cada vez mais a desenvolver suas capacidades técnicas e intelectuais para manutenção do sistema político e econômico, diminuindo assim a possibilidade resistência política.

           Observando o sistema penitenciário notou que a disciplina é como um “tipo de organização do espaço”. Situa os indivíduos em determinado grupo classificatório, hierarquizando e criando funções diferentes segundo o objetivo específico que dele se exige. Porém para haver disciplina não é necessário que os indivíduos estejam necessariamente em um ambiente fechado, a circunstância mais importante da disciplina é manter o controle do tempo e não do espaço, ou seja “ a sujeição do corpo ao tempo”. O desenvolvimento da ação torna-se mais importante que o seu resultado, dessa forma a vigilância torna-se o ator responsável para a eficácia desse processo de controle.

A disciplina funciona como algo permanente, e torna-se uma um registro continuo de conhecimento. “ao mesmo tempo em que exerce um poder, exerce um saber”.  A partir dessa observação Foucault afirma que o saber está intimamente ligado as formas de poderes, pois nas ciências humanas podemos perceber que quem possui o saber possui de diversas formas o poder. A exemplo nos hospitais psiquiátricos onde os médicos em suas especialidades representam o saber, e denominam qual a patologia de seus pacientes, diagnosticando, medicando, exercendo o controle sobre suas ações, automaticamente exercendo poder sobre seus corpos.

           O saber está diretamente ligado as práticas políticas, para o autor não existe o saber neutro. Nessa crítica construída através arqueologia do saber e que analisa a microfísica do poder, podemos concluir que todo exercício de saber é de fato um exercício de poder e que para a sua efetivação é necessário excluir dos indivíduos da gestão de suas próprias atividades e ao mesmo tempo almejar sua participação ativa, criando uma contradição que alimenta a lógica do sistema capitalista moderno.

 

 

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