Refletindo após ler 1968 O ano que não Terminou de Zuenir Ventura

 Zuenir Ventura relata os acontecimentos de 1968 baseado nos diálogos e registros daqueles que estiveram ativamente envolvidos na movimentação política daquele ano. O autor inicia o primeiro capítulo narrando uma festa de reveillón que ocorrera na casa de Heloísa Buarque de Hollanda. Nessa festa esteve presente muitas personalidades, estudantes e intelectuais que discutiam a questão social e política no país. Visivelmente influenciados por autores como Habermans, Marcuse, Guevara entre outros (embora alguns mais consevadores e outros mais revolucionários), o que eles tinham em comum era a sede pela participação ativa do processo político nacional.

No decorrer da obra, Zuenir nos conduz de maneira romântica aos acontecdimentos de 1968.

Sua obra consegue equilibrar os debates entre os estudantes, as dicussões promovidas em salas de aulas e acima de tudo sua movimentação ideológia nas ruas, a posição dos professores e da reitoria de grandes universidades, tal como a posição do Partido Comunista.

De fato os relatos que o autor conseguiu reunir em uma obra traz grande consistência ao seu trabalho, e nos proporciona uma dimensão especial do que ocorria naquela época. Quando falamos “naquela época” a sensação é de um passado longínquo, entretanto é importante olharmos o ano de 1968 e o nosso presente e tentarmos compreender o que há de errado hoje com a postura da nossa “elite” intelectual, nossos estudantes e até do antigo Partidão.

Alguns fatos hoje ainda são discutidos como lendas pela mídia, alguns personagens assumem hoje postura democrática quando em 1968 deixavam claro a sua posição a favor do estado de sítio no país. E o pior é que ainda existem aqueles que condenam a postura daqueles que se proproram a enfrentar a ditadura militar através da luta armada.

Carlos Lamarca (ex membro do exército) e Carlos  Marighella foram os nomes mais conhecidos pela adesão da luta armada contra a ditaduta militar no país. José Dirceu líder estudantil da UNE,  o cineasta Glauber Rocha, o cartunista Ziraldo, o capitão Burnier acusado de liderar um plano conhecido como Operação Para -Sar e o corajoso capitão Sérgio ( que interrompeu o plano que previa a morte de centenas de cariocas para posteriormente atribuir a  culpa aos marxistas), são alguns dos nomes que aparecem no livro interagindo com o período de tensão em que o país se encontrava.

Em 1968 podemos notar o desejo de mudança de uma sociedade que não aceitava mais a postura de um governo autoritário, centralizador e opressor. Os jovens culpavam a geração anterior por não ter reagido ao golpe e acreditam que “quem sabe faz a hora e não espera acontecer” como dizia a letra de Geraldo Vandré que posteriormente foi exilado por ter feito uma música  considerada subversiva, mas na verdade foi muito inspiradora para juventude de 1968. Alguns disseram que esta era a nossa marseillaise. A música serviu de hino durante passeatas promovidas por centenas e até milhares de pessoas.

Em 26 de Julho de 1968 ocorreu no Rio de Janeiro a passeata que ficou conhecida como “a passeata dos cem mil”, a qual teve grande adesão popular, e embora tenha deixado diversos movimentos eufóricos,  acrescentou mais um ingrediente à crise que governo do presidente Costa e Silva  já vinha ensaiando.

Após o ano de 1968, sabemos exatamente o que ocorreu. A declaração da AI-5 foi uma dura notícia recebido por essa juventude, que lutou por uma verdadeira democracia.

Infelizmente os registros daqueles que escrevem a história não são tão fiéis quanto seus acontecimentos. Alguns militantes encontram-se desaparecidos e sequer constam na lista do DOPS e seus parentes e amigos apenas imaginam com muita dor a tortura que esses jovens passaram. Aqueles que conseguiram sobreviver a tortura militar ainda guardam na memória as tristes recordações de um período em que sonhar não era permitido.

Hoje a mídia sensacionalista encontra substantivos pejorativos para denominar aqueles que foram e sempre serão os nossos grandes heróis, embora alguns permanecerão eternamente no anonimato.

O fato é que a questão de liberdade nunca pôde ser discutida entre todos de forma igualitária. Sempre existem os que definem o que é liberdade e a dose que a mesma deve ser utilizada, e claro: por quem deve ser utilizada.

Para não terminar esse post com tristeza pelos rumos que a história tomou (conduzida por alguns carrascos de extrema direita), prefiro terminar propondo a reflexão sobre a liberdade. Vamos olhar um imagem recente e sonhar que um dia possamos ir as ruas reinvindicar nossos direitos sem termos que (embora em um estado teoricamente democrático) sermos recebidos com pauladas e cacetetes pelas mãos do estado.

Não esqueçamos que sonhar não basta, é preciso agirmos!

Marcha pela liberdade (2011)

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6 pensamentos sobre “Refletindo após ler 1968 O ano que não Terminou de Zuenir Ventura

  1. Alex 22 de novembro de 2011 às 15:32 Reply

    Você precisa ler mais antes de se aventurar a escrever sobre alguém ou alguma coisa. Fora os erros de vocabulário, grosseiros por sinal, sua interpretação dos fatos é lamentável. Fica a dica!

    • saindodasprateleiras 22 de novembro de 2011 às 16:30 Reply

      Alex,

      Creio que para defender uma idéia você deve ir mais além do que se limitar a falar sobre os possíveis “erros de vocabulário”.

      Você me aconselhou a ler mais antes de me aventurar a escrever, e eu agradeço o teu apoio para que eu continue fazendo o que realmente gosto de fazer, porém você mais uma vez poderia ter ido mais fundo, e dito o que de fato te incomodou nesse post. Disse no final que a minha interpretação sobre os fatos é “lastimável” e foi aí que matei a charada: você na verdade ficou incomodado com a minha leitura sobre os fatos. Leitura de um cidadão brasileiro que tem vergonha por um passado de sangue, tortura e repressão em nosso país.

      Vergonha pelos resquícios desse período que ainda perpetuam em nossa história, porém mesmo assim ainda faço parte daqueles que sonham com um futuro melhor.

      Gostaria que mais pessoas discutissem o que aconteceu, para que essa amnésia coletiva a qual estamos vivendo no país fosse superada. Por isso te convido para a discussão. Fique a vontade, esse blog é democrático e está aberto para opiniões diversas.

      Abraços

      • alex 28 de novembro de 2011 às 9:38

        Alex
        Para ter credibilidade é preciso ter em primeiro lugar, de preferência, conhecimento de causa; em segundo lugar, profundidade naquilo que deseja defender ou mesmo comentar. Caso contrário fica assim como está: superficial e repetido. Quanto ao vocabulário, mais uma vez, lhe oriento a estudar mais (principalmente o verbo trazer). A leitura é imprescindível. Só nos poupe do discurso papagaio e movido por uma revolta fictícia. Com que propriedade você garante a sua legitimidade? Por outro lado, você realmente acredita no fim da ditadura e da censura? Faça-me o favor!

      • saindodasprateleiras 28 de novembro de 2011 às 9:41

        A internet é um lugar livre, e caso você não esteja satisfeito nesse blog, sinta-se a vontade para navegar em outros espaços.

        Como havia mencionado, em nenhum momento você teve coragem de definir o que realmente te incomodou neste espaço. Está preocupado com as idéias que são lançadas na internet e que antes seriam censuradas?

        Só uma observação: Quando você fala em “credibilidade” você acha que só pessoas consideradas “intelectuais” tem o direito de lançar mão sobre temas que dizem respeito ao corpo coletivo? Faça-me o favor, existe discurso mais papagaio que esse que você registrou aqui?

        Todo e qualquer cidadão tem o direito de ler e refletir, e é esta, apenas esta a proposta desse Blog, porém se isso te ofende de alguma maneira, lamento mais uma vez por você que se limita a atacar e ofender pessoas sem (mais uma vez) embasar a sua crítica em algo plausível.

        Você diz que é necessário ter “profundidade naquilo que deseja defender ou mesmo comentar” porém NÃO deixou aqui um bom exemplo.

  2. André 24 de novembro de 2011 às 18:10 Reply

    se possível gostaria de saber quais eram os partidos políticos dessa época e estrutura do funcionamento do congresso

    • saindodasprateleiras 28 de novembro de 2011 às 9:57 Reply

      Olá André
      Vou fazer um post especial sobre o que você questionou, porém estou em período de provas na faculdade, e por isso não estou conseguindo me dedicar ao blog.

      Caso você não possa esperar, indico-lhe a leitura dos livros “História do Brasil”, do Boris Fausto e/ ou “Brasil: de Castelo a Tancredo 1964-1985” de Thomas Skidmore.

      Boa leitura!!!

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