Cotidiano – Nova onda de arrastão em São Paulo

A mídia tem noticiado uma nova onda de assaltos em São Paulo. Os arrastões em restaurantes tem se tornado cada vez mais freqüentes.

É possível acompanhar pelos jornais as ocorrências policiais. A população indignada questiona a segurança pública, os investimentos do governo e dos próprios estabelecimentos. Alguns se posicionam a favor da pena de morte, outros mencionam o “trabalho forçado nas penitenciárias e prisão pérpetua”. Toda essa discussão ocorre somente quando o cidadão se vê próximo ao ocorrido, depois cada um entra no seu carro, levanta os vidros e segue seu caminho. Pensando em si próprio são incapazes de enxergarem além do que seus olhos podem ver. Não se atentam a realidade de centenas de crianças em situação de risco.

O que podemos notar é que por trás de toda essa verborragia utilizada pelas pessoas ao mencionarem medidas de políticas públicas, torna-se perceptível uma situação ainda mais alarmante: a falta de posicionamento crítico daqueles que são denominados “cidadãos brasileiros”.

Estamos acostumados a empurrar a responsabilidade das mazelas sociais às autoridades do governo, porém nos isentamos da responsabilidade de cobrá-los, de exercer de fato a cidadania. Criamos repúdio por quaisquer assuntos de cunho político, e nos distanciamos daqueles que por nós foram eleitos, nos limitando apenas em reclamar. Quando algum grupo se organiza para cobrar as autoridades através de alguma manifestação, estes serão marginalizados pela mesma mídia e pela mesma população que se diz indignada com diversas questões sociais do país.

Quando nos questionam alguma saída, apontamos soluções práticas e desumanas como “o trabalho forçado e pena de morte”, e sequer lembram que estes também são cidadãos, e que são frutos de nossa sociedade desigual. Se vivemos em uma sociedade   capaz de transformar uma criança  em um adolescente dependente químico e marginal, será que o caminho é mesmo a pena de morte? Será que assim tudo estaria resolvido?

Podemos perceber que nossa burguesia fecha os olhos para a desigualdade, e releva a possibilidade de criarmos crianças melhores para a construção de uma sociedade melhor, isso é claro pela lógica do cálculo econômico: quanto menos acumulo concentrado em uma pequena parcela da população, menor o índice de desigualdade de um país.

Tornarmos um Estado responsável pela execução de seus cidadãos, seria a saída?

Estão simplificando saídas, optando por aquelas que não interfiram diretamente em certas contas bancárias. Cada um quer viver feliz em sua ilha, com segurança e se possível distante de qualquer trajeto que passe próximo a alguma favela. O que os favelados se tornarão, não importa, mas se tornarem ladrões: a saída é a pena de morte.

Acho que esse comportamento reflete a hipocrisia social que já a algum tempo venho pontuando. Podemos perceber que esse tipo de alternativa sempre é aplicado por sociedades (como a norte- americana) que se diz crente e fiel aos seus princípios humanitários.

Nesses momentos lembro da célebre e emblemática frase de Rousseau, que não irei redigi-la para não apelar para frases de efeito.

Fica aí uma reflexão.

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