Mad Society e a “geração do futuro”

Este artigo trata-se de uma crítica a capa da edição número 54 da revista Época Negócios.


No caderno Visão, os jornalistas André Vieira, Karla Spotorno e Robson Vitorino proprõe uma análise sobre o modelo de educação a ser seguido pelos pais onde as crianças devem ser orientadas desde pequenas para atender as novas exigências do mercado de trabalho. No decorrer da matéria, eles (os jornalistas) nos apresentam relatos de empresários bem sucedidos sendo questionados sobre o tema educação, e o que podemos ver são relatos que pregam a constante competitividade de mercado e o individualismo. Os entrevistados falam sobre o tema com tal propriedade que podem até convencer os desavisados, mas a razão de fundo dessas ideias refletem exatamente o que Paul Hirst e Grahame Thompson já alertavam sobre a “Globalização”.

Os interesses de mercados externos atingem pessoas em diferentes países e para que isso aconteça, faz-se necessário expandir não só o mercado financeiro, mas também aquela idéia já discutida nesse blog, sobre a falsa ideia de ascenção social. Vale lembrar que essa tal globalização, nada tem de global. O que ocorre é a internacionalização do capital financeiro, e alguns países da periferia do mundo são excluídas desse processo.

Levando em consideração os aspectos financeiros, podemos observar que a educação está servindo como ferramenta de manutenção desse novo modelo de mercado. A educação que deveria servir como ferramenta do desenvolvimento crítico e proporcionar aos educandos uma nova perspectiva de ver o mundo, está se tornando cada vez mais mercadológica. A exemplo, as discussões levantadas sobre a questão das diferenças, não propõe o respeito ao diferente e sim o individualismo cruel que cria a dicotomia entre os mais aptos a atenderem as demandas de mercado e os considerados menos aptos. Há por outro lado uma homogeneização de pensamentos nesse debate, onde prepara pessoas cada vez mais iguaizinhas umas as outras. Os indivíduos estão cada vez mais condicionados a seguirem padrões pré-estabelecidos de comportamentos, vestimentas e até de discursos sobre determinados assuntos. A tendência desse sistema é que de uma forma  ‘natural” os indivíduos a percam a autonomia sobre sí e tornem-se cada vez mais robóticos trabalhando por interesses externos sem ter condições  para refletir sobre a verdadeira dinâmica estrutural desse processo o qual faz parte. A revista Época Negócios traz algo de interessante nessa matéria, pois ela nos mostra exatamente como as ideias surgem para fortalecer esse conceito, naturalizar esse processo e acima de tudo regular a estrutura econômica, sendo mais direta: essas ideias servem para amansar a população e molda-las para atender as expectativas daqueles que apostam todas as suas fixas no mercado financeiro.

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