Cotidiano – O ECOdiscurso a serviço do poder

Pessoal, hoje vou verbalizar tudo o que vejo por trás desse discurso ecológico que tem sido utilizado constantemente para amansar o povo, maquiando interesses e isentando a responsabilidade do Estado para fiscalizar as grandes indústrias.

Antes, preciso deixar claro que sou a favor da preservação do planeta e de todas as espécies nela existentes.

Então porque estou criticando os dicursos ecologicamente correto?

Para compreender a lógica da indignação, basta utilizar um pouco de “desconfiômetro” quando surgirem discursos de efeito que causem grande comoção popular. Cuidado, você pode estar servindo de laranja para que ocultem uma realidade ainda mais cruel do que a que te disseram sobre as plantinhas e a água do planeta!

Raciocínio lógico: introduziram a ideia de que devemos reciclar (ótimo!), devemos plantar mais arvorezinhas (perfeito!), devemos respeitar o meio ambiente (magnífico!), trocar o veículo por uma bicicleta para ir trabalhar (sem palavras!).

Quem mora em São Paulo por exemplo, realmente acredita que o problema da poluição da cidade é devido a fumaça dos fumantes, a poluição dos rios são causadas unicamente porque as pessoas jogam lixos nas ruas, e o trânsito na cidade é causado pela falta de consciência das pessoas para utilizarem mais bicicletas?

Estamos falando de São Paulo: Onde as grandes indústrias são as maiores responsáveis pela poluição do ar e dos rios da cidade. Isso mesmo! Sem contar na destruição dos subsídios naturais que são utilizados para colher matéria prima.  Estas indústrias deveriam ser as principais “inimigas” em um discurso coerente sobre o meio ambiente.

Cubatão: um pólo industrial de São Paulo

O que ocorre é que essas indústrias que acabamos de falar, são as que mais lucram com esse discurso ecológico que está circulando por aí. E como tudo vira dinheiro, elas se apropriaram da idéia “recicle”, “reutilize”, “preserve”  associando esses lemas às suas marcas, aumentando assim as suas vendas.

Existem também grandes empresários vendendo (literalmente)  esse discurso para que as mega empresas consigam a certificação ambiental. Essas certificações representam muita grana para as empresas, tanto para a que consegue o certificado, como para a que emitiu o mesmo.

O que observamos é que esse discurso gera muito dinheiro para os principais causadores do desastre ambiental. Por outro lado, estes são isentos da responsabilidade de tomar ações sérias para conter os malefícios causados, eles se limitam a verder idéias que são compradas por seguidores dos discursos prontos. Em alguns momentos podem até demonstrar algumas ações que na maioria das vezes são medíocrementes criadas para a sustentabilidade da argumentação ecológica, do que para a sustentabilidae ambiental propriamente dita.

O Estado se isenta da responsabilidade de fiscalizar essas empresas e transfere essa responsabilidade para o coletivo e  sabemos que diante do bombardeio de “conscientização” banal, o coletivo por sua vez exerce o papel de fiscalizador superficial.

Para termos uma dimensão dos interesses por trás desses discursos aparentemente inocentes, observem que o mesmo está cada vez mais sendo apropriado por diferentes esferas de poder.

Empresário Guilherme Leal, presidente da Natura Cosméticos S.A., para candidato a vice-presidente pelo partido Verde

Como um partido que levanta a bandeira verde, onde em sua suposta gestão deveria lutar contra os interesses de grandes empresas em prol do meio ambiente, se unifica com o presidente de uma das maiores industrias?

Como vimos, o meio ambiente acaba ficando para segundo plano, as discussões sobre o tema são levantadas acerca dos hábitos da população, que agora são abordadas ao jogarem uma garrafa pet no lixo, enquanto as ações dos grandes empresários e do Estado acabam sendo inquestionáveis.

Obviamente devemos reeducar nossos hábitos, porém deve haver uma conscientização real sobre o que de fato agride o meio ambiente. Devemos ter uma noção macro da estrutura por trás de um “simples” discurso, caso contrário seremos apenas pessoas inocentes e de boa vontade, sendo utilizadas como fantoche daqueles que ocultam os seus reais interesses.

O marketing verde dobrando as receitas das grandes indústrias

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