Sobre a liberdade intelectual e a tirania da maioria

Basta recorrermos aos nomes dos grandes homens que contribuíram para o crescimento intelectual da humanidade, e perceberemos que sempre houve a tirania da maioria sufocando e aprisionando a liberdade intelectual da minoria.

Os velhos conceitos precedidos pela moral cristã criaram ao longos dos anos discursos sobre os homens  para impor o conceito de  certo e  errado, de verdade e de mentira.  Em regiões onde aceita-se a “verdade” apenas pelo fato de que esta suposta verdade esteja enfaticamente enraizada em sua sociedade (quando o indivíduo nasce a sociedade já está pronta), e recusa-se a questionar as leis que regem o universo ou sobre a sua própria realidade, os indivíduos estão agindo conforme a coerção indireta.

O medo de romper com as idéias que regem a estrutura social é assustador para alguns questionadores, principalmente pelo fato de ter que conviver com a exclusão tanto na terra como no suposto “paraíso do céu”. Quem busca respostas complexas deve estar preparado para romper com essa imposição social que nos limita a raciocinar, que nos impõe regras comportamentais e nos ameaçam com a ideia do purgatório.

Ocorreu-me lembrar da Inquisição, que foi responsável pelo assassinato de muitas pessoas em nome do “amor a Deus”.

Abaixo, as características impostas pela igreja para definir os heréticos:

a)       Os excomungados;

b)       Os simoníacos;

c)       Quem se opuser à Igreja de Roma e contestar a autoridade que ela recebeu de Deus;

d)       Quem cometer erros na interpretação das Sagradas Escrituras;

e)       Quem criar uma nova seita ou aderir a uma seita já existente;

f)        Quem não aceitar a doutrina Romana no que se refere aos sacramentos;

g)       Quem tiver opinião diferente da Igreja de Roma sobre um ou vários artigos de fé;

h)       Quem duvidar da fé cristã

Como podemos perceber, esses dogmas estão presentes em quase todas as sociedades independente da variante temporal. Ocorre que o ser humano é por natureza questionador, e quando este não consegue explicações para as suas inquiteções, busca a através da crença apoiar as suas incertezas, atribuindo respostas mesmo que superficiais às suas dúvidas.  O medo das punições (na Terra e no Céu) faz com que o indivíduo crie mecanismos de afastamento aos questionamentos que o distanciem dos conceitos que lhes foram impostos. Em consequência, a mente humana fica estagnada, amedrontada e completamente conformada com aquilo que foi construído por verdade.

É fato que não existe apenas uma verdade, existem muitas verdades. A que é constantemente repetida em uma determinada região é a verdade da maioria, porém existe outra verdade que não deve ser oprimida. A verdade da minoria, que está disposta a romper com todos os conceitos e dogmas em nome da liberdade intelectual.

Se antes a repressão era exercida pela Santa Igreja, hoje a responsabilidade de fiscalizador da moral e dos velhos costumes cristãos foi transferida para os indivíduos.

A exclusão na Terra ocorre quando a maioria crente decide julgar e condenar os hereges e ateus, como já ocorreu diversas vezes ao longo da história. Esta é a tirania da maioria, que sufoca e oprime a minoria questionadora e livre de dogmas religiosos.

Embora vivemos em uma sociedade onde a premissa da liberdade de expressão seja constantemente defendida, percebemos que os meios de comunicação em geral não estão dispostos a dialogar com a minoria composta por ateus. Os estereótipos ainda são difíceis de serem derrubados, e desassociar a imagem do  ateu à imagem de assassinos e criminosos não é uma  tarefa fácil. Quem sabe um dia quando a mente humana estiver mais preparada para questionar sem medo possamos fazer valer a ideia de que somos animais verdadeiramente racionais, elevando a humanidade ao alto da montanha onde se encontram as mentes libertas de preconceitos, medos e dogmas.

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