Preconceito e elitismo em colunista da Folha de São Paulo

A matéria do colunista Gilberto Dimenstein de 12/ Set/2011 no jornal Folha de São Paulo é extremamente preconceituosa e elitista.

12/09/2011 – 08h49 USP deveria morrer de vergonha Mais uma vez me sinto aqui obrigado a dizer que a USP deveria morrer de vergonha. É simplesmente inexplicável a posição de sua escola pública, gerida pela Faculdade de Educação, no Enem.Não é apenas que ela fica abaixo de muitas escolas técnicas. Neste ano, ficou abaixo de uma escola de Parelheiros (Carlos Cattoni), que não é técnica, onde nem sequer tem água encanada. É uma das regiões mais pobres da cidade, onde falta tudo e sobra violência. Não há nada ali, rigorosamente nada, que lembre as riquezas culturais do campus da USP, que está na lista das melhores universidades do mundo.

A rigor, a escola de aplicação da USP deveria estar entre as primeiras do Brasil se soubesse aproveitar as infindáveis possibilidades de seu campus e experimentando métodos inovadores. De resto, sua clientela nem de longe se assemelha com a de Parelheiros.

É por fatos desse tipo que, entre educadores, cresce a visão de que as faculdades de educação estão longe da realidade e não sabem preparar professores para resolver os desafios de sala de aula, perdendo-se em teorias pedagógicas.

Gilberto Dimenstein

Dimenstein domonstra sua indignação pela queda de posição da escola da USP na avaliação no ENEM, e refere-se a escola Carlos Cattony de Parelheiros de uma forma lastimável.

A matéria seria coerente se o tal jornalista demonstrasse indignação por um colégio que pertence a cidade de São Paulo não possuir água encanada. Um colégio inclusive que vem se destacando no ENEM e que obviamente é composto por alunos dedicados, embora estejam longe do centro de São Paulo.

Dimenstein enfatiza que na região de Parelheiros “ falta tudo e sobra violência. Não há nada ali, rigorosamente nada, que lembre as riquezas culturais do campus da USP“. E com esse comentário ele cria excesso de gargalhadas em qualquer um que conhece a USP de perto. O que será que ele quis dizer com “riquezas culturais da USP”? Seriam as paredes rabiscadas por hippies chiques filhinhos de papais que fumam maconha entre os campus da universidade?

Dimenstein certamente está defendendo a classe dele, e está muito mal informado sobre a região de Parelheiros, e especialmente sobre a escola o qual ele apresentou pejorativamente. Devo avisar ao jornalista que a grafia correta da escola é Carlos Cattony – e não Cattoni como ele publicou em sua matéria. Isso mostra que ele ao menos pesquisou sobre o nome da escola a qual ele estava se referindo. Devo dizer também ao senhor Dimenstein que a escola Carlos Cattony conta com profissionais seriamente engajados que acompanham de perto o desenvolvimento de cada criança e adoslecente.

Na escola Estadual Carlos Cattony não falta somente água encanada, como também não existem pichações em muros como as que o senhor Dimenstein está acostumado a ver na USP.

Na região existem muitas coisas, e não é um completo “nada” como afirmou o jornalista.

Existe em primeiro lugar pessoas. Pessoas que apesar das dificuldades, da falta de estrutura e do preconceito de pessoas como Dimenstein, continuam lutando pois sabem que para quem está em um grau de exclusão como a dos moradores da região de Parelheiros, a luta é ainda maior.

Eles são vencedores, e por esse ponto de vista senhor Dimenstein a USP realmente deveria morrer de vergonha.

Anúncios

10 pensamentos sobre “Preconceito e elitismo em colunista da Folha de São Paulo

  1. Silvano 13 de setembro de 2011 às 15:34 Reply

    Lamentável, o texto do Dimenstein. Se ele viesse à escola, conheceria a região, distante das drogas e grande maioria das mazelas urbanas. Veria pais e professores sendo vizinhos. Veria uma educação pessoal e não baseada em números. Veria ações socio-inclusivas e socioambientais realizadas por pais voluntários, dentro da escola.
    Alguns anos atrás, enviei uma mensagem a ele, mostrando os projetos socioambientais, realizados nessa escola. Se ele ao menos tivesse lido a mensagem, certamente conheceria um pouco daquilo que ousa falar.

    Silvano – Projeto Mais Verde

    • saindodasprateleiras 18 de setembro de 2011 às 13:57 Reply

      Silvano, obrigada pela visita ao meu blog.
      Havia pesquisado sobre o Projeto Mais Verde, inclusive ia mencioná-lo no meu post. Sou moradora do Grajaú, bairro próximo a Parelheiros e me senti no dever de publicar algo em defesa daqueles que já estão em uma situação de desigualdade e exclusão social e ainda tem que carregar estereótipos criados por pessoas como o Dimenstein.
      Fiquei muito feliz com sua visita. Comentários são sempre bem vindos.

  2. sandra40 17 de setembro de 2011 às 20:22 Reply

    É uma lástima que o “colega” Gilberto Dimenstein, ao produzir seu texto (ainda que opinativo ou interpretativo), tenha excluído dois princípios básicos do jornalismo: primeiro, verificar exaustivamente as fontes para que o produto do trabalho jornalístico, isto é o texto revele a veracidade dos fatos; segundo, o “caro colega” esqueceu do princípio primordial que é a imparcialidade. Texto opinativo, embora inclua a análise e a interpretação dos fatos, não significa influenciar o leitor com opiniões pessoais e, principalmente, preconceituosas sobre o assunto corrente. Ora, se queremos (e cobramos dos governantes) mais Educação e Cultura, e a erradicação do analfabetismo neste país, deveríamos então parabenizar uma escola como a Carlos Cattony, cujo corpo docente se esforça em elevar o nível educacional e cultural de seus alunos, ao invés de nos indignarmos porque a escola de aplicação da USP cuja “clientela nem de longe se assemelha com a de Parelheiros” ficou em um nível bem abaixo na classificação do ENEM. Apenas gostaria de lembrar ao colega que a USP, onde tantos diletos filhos de nobres berços paulistanos estudam ou estudaram, pertence ao governo do Estado, bem como a Escola Carlos Cattony à qual faço votos de plena ascensão, e infindáveis progressos na formação sócio cultural e educacional de nossas “pobres” crianças de Parelheiros. Afinal, como dizia Monteiro Lobato, “um país se faz com homens e livros”. Quem sabe, um dia próximo, uma “pobre” criança de Parelheiros, egressa de uma escola como a Carlos Cattony, traga um Prêmio Nobel de literatura, medicina, física, etc., para este que é considerado o país mais rico da América do Sul e que, no entanto, em se tratando de um prêmio de tamanha envergadura como o Nobel, está abaixo, muito abaixo da Argentina e do Chile?

    Sandra Caldas Lourenço
    Jornalista

  3. saindodasprateleiras 18 de setembro de 2011 às 14:08 Reply

    Olá Sandra
    Sem dúvidas o jornalismo exercido por pessoas como Dimenstein está longe de ser impessoal. Ao meu ver, a coluna dele expressa os dissabores e anseios da burguesia e não demonstra conhecimento de causa nos assuntos abordados. Nós, leitores devemos ficar atentos as variáveis que existem nas publicações jornalísticas, que em alguns casos chegam a ofender e discriminar grupos e pessoas.
    Obrigada pela visita, comentários são sempre bem vindos!

  4. Alex 18 de setembro de 2011 às 19:14 Reply

    Tem certeza que você não está combatendo preconceito com outro preconceito? Me refiro ao “Seriam as paredes rabiscadas por hippies chiques filhinhos de papais que fumam maconha entre os campus da universidade?”

    Estudei na usp, não sou hippie, nunca pichei uma parede ou fumei maconha.

    E deixando claro para @ blogueir@ e para os demais leitor@s, os alunos da escola de aplicação da usp não tem o mesmo padrão socioeconomico do restante da universidade. Aliás, não existe vestibular ou processo seletivo para ser admitido lá.

    • saindodasprateleiras 19 de setembro de 2011 às 9:34 Reply

      Olá Alex, obrigada pelo comentário.
      Acredito que não estou genaralizando ao mencionar as paredes pichadas por hippies chiques na Usp., Ambos existem na universidade: paredes pichadas e hippies chiques. Como você mesmo disse que não fez parte dessa turma, não vejo motivos para se ofender. Aliás não houve ofensa, se você de fato estudou lá sabe do que estamos falando.

      • Alex 19 de setembro de 2011 às 12:51

        Bom, nesse caso o Dimenstein também não ofendeu ninguém. Afinal ele só lembrou que parelheiros sofre de violência e falta de riquezas culturais como as encontradas em uma universidade, mas se a escola Carlos Cattony não se encaixa na descrição, onde está a ofensa?

        Ambos existem em parelheiros: violência e falta de riquezas culturais (como as encontradas em uma universidade). Se você de fato conhece a região, sabe do que estamos falando.

  5. Elson 19 de setembro de 2011 às 11:23 Reply

    No final de 2009, um grupo de alunos desta mesma escola, concorreram no “Desafio Bovespa” com mais de 400 escolas, dentre elas, estaduais, municipais e particulares do Estado de São Paulo.
    Apesar das dificuldades que enfrentaram e enfrentam, ficaram com o honroso 5º lugar.
    Naquele momento, já era uma confirmação do que alunos e professores do Cattony, são capazes.
    Só posso lamentar o texto deste senhor.

  6. Monica J Bezerra 21 de setembro de 2011 às 19:48 Reply

    Parabéns aos professores guerreiros da Escola Estadual Professor Carlos Catony, infelizmente o preconceito ronda essa região… Ainda pior quando parte de um cara tão conhecido. Quem está defendendo ele, pode vir fazer uma visitinha as escolas do bairro pra poder falar com propriedade. Caso tenha medo eu digo… tenho muito mais medo de andar nas imediações do butantã, pinheiros, jardins, etc… Vim pra parelheiros há três anos e daqui não saio mais… Me apaixonei pelo lugar e pelo povo em especial pelas crianças… Parem de falar besteiras e saibam que esses índices de violência não são reais. As pessoas são manipuladas e ainda se acham bem informadas. Saiam de seus berços esplendidos e formem opinião com fatos e não com falacias.
    Só pra completar no campus da USP, infelizmente rola muita droga, infelizmente, tem muita pixação e infelizmente tem muito aluno sem nenhuma qualidade moral e que por um acaso da vida nasceram em família rica… (TÁ BOM ASSIM PRA VC?)

  7. jefferson passos 28 de outubro de 2011 às 15:23 Reply

    Prezados ,

    Bom dia a todos,

    Meu nome e Jefferson Passos,

    Audiências publicas vem acontecendo e refletem o que vem acontecendo a população de Parelheiros DESCASO uma população de aprox… 200,000,00 .

    estarem presentes em uma audiência publica 5 pessoas..
    de toda região,e no minimo frustante.

    Realmente é errado fazer uma Audiência publica as 19:00hs , em um club a 30km de distancia para apresentar algumas propostas para orçamento de 2012 referente a parelheiros , a verba para orçamento de 2012 será diminuida de 24,000,000,00 para 21,000,000,00 vinte e um milhoes de reais,) verba está que sera no maximo utilizada 50% , como vem acontecendo nos ultimos anos,
    muitos dos moradores siquer sabem que irá acontecer tal reunião.

    Encontrei esta pagina quando estava realmente a procura do ranking que apresenta resultado escola Professor Carlos Cattony. região de parelheiros.

    solicito a todos que queiram lutam por um futuro melhor entrem em contato ,
    para que possamos sem que tenha partidos politicos exigir uma faculdade para parelheiros ,

    dicapriolopes@gmail.com ,
    ou no facebook

    JEFFERSON JUNIOR ,
    ESTOU DE BRAÇOS ABERTOS NA MINHA PAGINA FACE.

    ABS.. E PARABENS PELA HOOME.
    com uma faculdade em parelheiros de qualidade podemos ter mais escolas e jovens promissores em nossa região, aguardo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: