Vivenciando e anotando: excercício de antropologia.

Conforme orientação da professora Caroline Freitas, partimos em grupo em direção a Praça Vila Boim. O percurso teve início na saída da fundação de ensino a qual o grupo pertence, e o caminho estabelecido previamente proporcionava diversos aspectos para observação. Houve uma mudança no cenário (em relação à urbanização e arquitetura) no final da Av. General Jardim com o início da Rua Veridiana.

Seguindo adiante na Francisco Matarazzo, observei a extensão do que se iniciou na rua anterior: mansões com arquiteturas antigas e propriedades com grandes extensões. Os casarões antigos hoje pertencem a instituições privadas, embora não possa afirmar se, em caráter de aluguel ou não. A exemplo, a embaixada Italiana e os dois imóveis com a logomarca do banco Itaú.

Ao passar em frente ao moderno shopping Higienópolis, pude sentir uma ruptura com a estética mencionada anteriormente. A rua torna-se mais movimentada, evidentemente devido à concentração de lojas dentro do shopping. Até então, as ruas transmitiam a solidão do início da noite. Eventualmente alguns passantes atravessavam apressadamente as ruas, seguramente a caminho de suas casas após terminar algum trabalho na região (empregadas domésticas, lojistas, e etc), e também algumas pessoas que distraidamente caminhavam sozinhas, com seus companheiros ou com seus cachorros. Nas proximidades do shopping havia uma concentração de táxis a espera dos seus passageiros, e o número de passantes acompanhados com seus cães de pequeno e grande porte aumentava, pois dentro desse shopping (ao contrário de outros) é permitida a circulação de animais de estimação. Certamente essa característica do shopping diz muito sobre o perfil daqueles que o freqüenta.

Logo, pude avistar um patrimônio que causou grande surpresa ao constatar que se tratava de uma loja de roupa infantil. Devido à curiosidade, dispensei alguns segundos para observar as características que julguei interessante registrar. A loja era uma mansão antiga, com uma grande escada no centro. Não subi essa escada devido à abordagem da lojista, entretanto pude observar a parte baixa que era constituída por cômodos com decoração rústica, brinquedos e vestimentas de crianças. Na saída da loja, dando continuidade ao percurso, me surpreendi com a extensão geográfica do Colégio NSra. Sión construído, conforme indicação na entrada, em 1901. Embora o colégio pertença a alguma instituição religiosa e cristã, o mesmo não expunha nenhum crucifixo.

Do outro lado da rua, havia o colégio rotariano em um edifício mais modesto, porém localizado em uma área extensa. As ruas que percorremos são muito arborizadas, com passantes menos apressados, o que transmite a ideia de qualidade de vida superior a de muitos paulistanos localizados em outras regiões. Evidentemente esta é uma área onde o custo de vida é mais caro, o que limita o acesso a pessoas de baixo poder aquisitivo. Aqueles que caminhavam com seus cachorros possuíam o mesmo perfil comportamental: limitavam suas paradas às necessidades dos seus bichos de estimação.

Não havia qualquer tipo de entrosamento entre elas, as relações de sociabilidade pareciam ocorrer dentro dos bares que estão concentrados em uma das frentes do parque. Todos parecem terem sido estrategicamente decorados para atender as exigências do público que ali freqüentam. Os ambientes desses bares assemelham-se a “pubs”, com luminárias e som baixo, proporcionando momentos de descontração e conversas entre amigos. Entre os bares, existem lojas também, que exibem vitrines com diversidades de roupas e acessórios.

Antes de chegarmos ao ponto de encontro com o grupo, analisei as características que haviam chamado minha atenção durante o percurso, e observei que todas estavam relacionados à urbanização: não havia pichações nos muros ou sujeira espalhadas pelas ruas. O lixos dos prédios estavam todos muito bem organizados. Este último item explica-se pela obrigação de funcionários encarregados da tarefa pela coleta dos lixos domésticos. Notei também que havia poucos orelhões, o que também nos diz muito sobre a região. Provavelmente para aqueles que ali frequentam este não seja um problema, pois o acesso a telecomunicações deva ocorrer de maneira individual e não comunitária.

A Praça Vila Boim é bastante iluminada, e arborizada. No centro dela existe uma figueira robusta, e uma banca de jornal que funciona durante a noite. Na praça havia uma concentração maior de moradores passeando com seus cachorros, porém não havia crianças (talvez isso se explique pelo horário). As pessoas que aparentemente residem nessa região não interagiam entre si, somente com o espaço de onde tiravam algum proveito pessoal, como caminhadas e passeios com seus cães.

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