Mídias sociais, democracia e participação popular

Observei que diversos meios de comunicação estão tratando a questão das mídias sociais e o seu papel na revolução do mundo Árabe.

Aqui no Brasil, tivemos a Marcha Contra a Corrupção em 07 de Setembro, e as mídias também sondaram os manifestantes tentando compreender o que há de novo nesse momento em que as relações iniciam a partir das redes sociais.

Bom, pessoal…antes tarde do que nunca! Resolvi postar algo sobre isso também, mas vou tentar uma análise mais sociológica dessa coisa toda. Inclusive na faculdade estamos desenvolvendo uma pesquisa sobre esse tema, porém devo avisar que aqui irei abordar outra ponta desse iceberg.

Existe um consenso entre os autores que analisam a democracia ao afirmarem que democracia é Participação X Competição. E partindo desse princípio podemos considerar o Brasil um país democrático (nos termos técnicos do que é uma democracia, o que ela deveria ser é outra questão).

Vamos seguir esse raciocínio sobre o que é democracia para continuarmos nossa análise sobre o que vem ocorrendo no Brasil a partir das mídias sociais. De maneira direta ou indirera, positiva ou negativa as pessoas estão dialogando mais, questionando mais e interagindo mais sobre política. Aquele velho estranhamento e afastamento está começando a ser quebrado.

Os indivíduos estão partindo do princípio que um dos elementos fundamentais de uma democracia é a sua participação, e não somente no exercício do voto.

Antes, exercer a cidadania significava votar e ações posteriores geralmente significavam reclamar, reclamar e reclamar. Hoje as pessoas votam e depois podem acompanhar pela internet o seu candidato, cobrar através de sites e e-mails, discutir através de forúns e organizar manifestações como a de 07 se Setembro na Av.Paulista.

Alguns autores como Castells analisam essas mobilizações focando a efetividade delas e ressalto que essas manifestações sempre existiram e não podemos tentar supor o que vai acontecer. O que ponho em pauta nessa análise é o universo simbólico e a reformulação coletiva sobre o que é política, o que é democracia e o que é cidadania.

Não só a população aderiu essas novas maneiras de interação, como as esferas de poder rapidamente absorveram esse momento e já “dançam conforme a música”.

Vejam o que a senadora Lucia Viana do PSDB diz em sua página na internet:

(…) “No dia 3 de fevereiro passado manchetes de jornais davam conta de que os  protestos chegaram ao poder público no Brasil. Informava-se que imposto alto vira alvo em redes sociais, com a população manifestando o seu
desgosto com a alta carga tributária no país.” (…) ” É um assunto que está na pauta do Congresso Nacional e do próprio Governo
> Federal. O alerta está dado e todos os que temos responsabilidade no  Legislativo e no Executivo devemos estar atentos à voz da cidadania que vem das Redes Sociais”.

A sociedade civil está recriando sua percepção sobre participação política e  por isso minha atenção não está na eficácia das mobilizações de forma direta, e sim as transformações coletivas que ocorrem a partir das reformulações no universo simbólico de acordo com o tempo e o espaço.

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