Dica de Leitura: O Banqueiro Anarquista, de Fernando Pessoa

O banqueiro anarquista de Fernando Pessoa, publicado originalmente na revista Contemporânea no 1 de maio de 1922. Trata-se de um diálogo entre dois personagens anônimos. 

Um dos personagens é apresentado como um ex-operário, atual banqueiro e anarquista desde sempre.

 A contradição entre a ideologia anarquista e o estereótipo que a figura de um banqueiro carrega, faz do conto de Fernando Pessoa enriquecedor.

O autor conduz o diálogo entre os dois personages de maneira séria, o que faz o leitor se perder entre a convicção do banqueiro que afirma categoricamente ser um verdadeiro anarquista que une a teoria à ação, e  a contradição de tais curcustâncias. No decorrer do diálogo, o banqueiro expõe seu pensamento tido como libertário, explicando ao outro personagem também anônimo a sua condição de banqueiro que segundo ele, é uma das provas do seu anarquismo verdadeiro.

Encontrei alguns comentários sobre o livro; ora posicionando Fernando Pessoa como crítico do anarquismo, ora como crítico do capitalismo e ora como crítico do cinismo político.

 Em minha leitura, compreendi que Fernando Pessoa observava as discussões ideológicas de sua época que ocorriam muitas vezes (tal como no conto) em mesas de bares,  e o autor possivelmente observava também a ironia de determinados posicionamentos políticos tidos como revolucionários, mas que no fundo tratavam-se de discursos lançados para promover a imagem de pessoas que muitas vezes não estavam dispostas a aderir quaisquer tipos de condutas que pudessem por em pauta a comodidade do seu dia a dia.

Muitos conseguiam compreender a profundidade da discussão anarquista, entretanto por uma questão de “status” intelectual posicionavam-se contra determinados dogmas e conceitos, porém criavam diversas teorias para justificarem certas posições as quais ocupavam na sociedade, levando inclusive a crer que tratava-se de um ato heróico pertencer a determinada classe social.

Creio que Fernando Pessoa lançou mão do sarcasmo para expor um personagem sério porém com uma conduta duvidosa e cheio de teorias as quais visavam justificar sua ascenção social em torno de um discurso que pregava a liberdade incondicional e o fim da desigualdade social.

  O determinismo biológico aparece também no conto de Pessoa, e é facilmente observado quando oautor menciona as características biológicas que diferem uns indivíduos dos outros. Inclusive o autor adere a esse discurso para enunciar os chavões capitalistas, como a ascenção social fruto de uma diferença biológica natural. Por mais esse detalhe, considero esta obra uma ironia sarcástica de Fernando Pessoa contra certos posicionamentos tão perceptíveis em sua época como na atualidade.

 Deixo aqui registrado como dica de leitura esse conto, para que tirem suas próprias conclusões sobre o interesse de Fernando Pessoa em publicar algo tão provocador e controverso, deixando mais uma vez registrado os sinais de sua genialidade nessa obra.

 Segue o link para leitura

 http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=15729

 Boa leitura!!!

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