A nova política de classes, segundo Klaus Eder

Capítulo I – reintroduzindo as classes na teoria da sociedade: a cultura como elo perdido entre classes e ação coletiva.

Desconectando classes e ação coletiva

 

Na era moderna é possível ainda falar de classes?

Sim, pois elas não desapareceram, estão apenas sobre outras configurações em um processo em que a cultura apresenta um papel importante: como elo que liga a classe e a ação coletiva, entretanto ela  é também o motivo da sua desconexão.

* definição de cultura utilizada pelo autor: qualquer tipo de expressão simbólica que dê sentido ao mundo.

O autor desconstrói a hipótese da não existência das classes na sociedade moderna, pois essa hipótese pressupõe que as expressões culturais não estão mais bem definidas. Para Klaus Eder, o que mudou foram as expressões culturais e não necessariamente as classes. Entretanto partir da análise das classes para dar partida ao contexto moderno da sociedade é inadequado para o contexto atual.

Analise da cultura, como mediadora dos conflitos de classe, liga diretamente classe de ação coletiva. A classe determina como a cultura é usada no cotidiano. A cultura é um meio de comunicação, e quanto mais as pessoas se relacionam, mas elas produzem diferenças sociais nos processos de comunicação em curso” (p.19). Dessa forma, as dinâmicas culturais divergem da dinâmica de classes.

O autor explica que o termo “crise política de classe” não aponta para o desaparecimento das classes, e sim para uma nova análise das classes, partindo do princípio que a ação coletiva não pode mais encontrar uma base legítima para a posição de classe. A nova teoria deve considerar o valor moral da classe como uma variável,e não como a essência da classe, pois as classes tornaram-se livres de valores. Entretanto as ações de classes ainda existem, e podem inclusive aumentar.

A classe não deve mais ser entendida como ator que age em um movimento definido, deve-se observar que os indivíduos são os novos atores e que agem conforme seu espaço de ação de classe estruturante. A estrutura assume uma abordagem importante para Klaus Eder, e por isso ele julga importante explicar as determinações acionalistas e culturalistas, para posteriormente o leitor compreender a importância da sua abordagem para a análise das classes na teoria das sociedades.

Ação coletiva e movimentos sociais

A interpretação acionalista, será situada o interior da teoria e da pesquisa sobre movimentos sociais. Para Klaus Eder, os movimentos sociais têm sido observados por uma ótica equivocada e simplista, devido a abordagem da microssociologia, que muitas vezes estudam os movimentos sociais a partir de suas reivindicações ou pela estrutura semelhante a de uma empresa. Dessa forma as abordagens  se distanciam da  macrossociologia e deixa passar o papel importante dos movimentos sociais, como  macro atores responsáveis pela produção e reprodução do contexto sociocultural.

O espaço público é o espaço onde os movimentos sociais se representam e são representados pelos por seus membros ou oponentes, Nessa perspectiva, pode-se entender os movimentos sociais são construídos no espaço publico e sua função pode ser entendida dentro do processo. Porém existe um limite nessa análise construtivista, que permite observar a interação entre os atores, porém não diz nada do que acontece quando eles começam a agir. “os atores são parte de um sistema que define a função social que eles desempenham” (p.22). Levando em consideração   a pluralidade de atores coletivo, torna-se importante uma análise funcionalista, empregando os termos do autor. Os atores sociais interagem com determinados contextos sociais, e e são elementos construtivo da sociedade, criando um diálogo com os problemas, através da sua forma de mobilização. Essa perspectiva sobre os movimentos sociais, difere da macrossociologia (que não os considera como portadores da mudança social), e vai além das microanálises (que se limitam a observar as movimentações em termos de reivindicações).

A análise proposta por Klaus Eder foi construída a partir dessas duas tradições, entretanto adiciona um novo elemento: a independência dos atores em um contexto institucional, ou seja,leva em consideração a comunicação entre os atores e não conduz diretamente para a análise de classe.

O importante neste caso é observar o contexto em que essas relações se produzem e reproduzem, pois as ações coletivas estão inseridas num contexto cultural significativo. Os movimentos sociais não são compostos por aglomerados de atores sociais com características em comum. A cultura assume um papel central para análise da ação coletiva, pois ela de fato está no centro das relações.

Por que discutir sobre classes?

 

Porque ela assume um papel macroestruturante do contexto social, porém não deve assumir uma abordagem explicativa do contexto social. Diante de diversos conflitos (étnicos, religiosos e etc.) faz-se necessário retomarmos a questão das classes, porém estando atento a estas premissas na abordagem sociológica.

O autor faz uma reflexão interessante sobre a classe trabalhadora. Ela copta interesses diversos, não necessariamente ligado aos interesses da classe, como o autoritarismo e o nacionalismo. Seguindo a reflexão, lembrei da tese de doutorado do André Singer, onde ele apresenta dados sobre a posição conservadora da classe trabalhadora pertencente a camada mais pobre da população. Nos indicadores, André Singer mostra que muitos são a favor da repressão política aos movimentos sociais e preferem o conservadorismo político, e não uma revolução da classe trabalhadora como propunha o ex-presidente Lula quando ainda candidato em 1988. Fazendo o candidato assumir a conhecida postura “lulinha paz e amor” para atingir esse eleitorado. Klaus Eder explica que na medida em que cultura (como variável intermitente) desenvolveu a sua própria dinâmica, no interior das sociedades modernas, a mediação das classes foi se tornando mais complexa e “menos óbvio o elo entre as classes e o seu efeito”.

Mesmo com esta importância da cultura, uma redução culturalista na análise deve ser questionada. Seguindo a lógica do pensamento do autor, devemos olhar para a classe (como estrutura estruturante) e para a cultura (como mediação entre o contexto social e os atores sociais) e a ação coletiva com a mesma intensidade, pois assim não deixamos passar objetos importantes para a análise da constituição da sociedade moderna.

A textura como ele perdido

Classes e ações sociais: como milhares de posições e comportamentos individuais são transformados em num evento coletivo que chamamos de movimento social? Pergunta tradicional.

A pergunta atual é: como a ação coletiva constitui um espaço de ação simbolicamente definido que é tanto uma condição quanto o resultado desta ação? (p.28).O autor responde que a ação coletiva está inserida numa textura cultural específica, num discurso organizado “anterior às motivações dos atores para agir juntos e que até os ultrapassa”  (p.29).Estas texturas são explicadas não pelas classes, mas pelas formas culturais, pois elas se referem as formas de vida cultural que permitem os indivíduos agirem coletivamente. As formas de vida são espaços de ação simbolicamente organizadas que acontecem através da lógica cultural.

“ A textura de classe medeia o efeito da classe sobre a ação coletiva” (p.30), ela incorpora as formas de vida que constituem e reproduzem um espaço de ação, constituindo o universo do discurso quando os símbolos são comunicados.

Anotações feitas a partir da leitura do texto “A nova política de classe” Klaus Eder.

Capítulo I. “Reintroduzindo as classes na teoria da sociedade: a cultura como elo perdido entre classes e ação coletiva“.

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