A nova classe média está consumindo mais ou sendo mais consumida?

Na última década o termo “ascensão” tem sido constantemente empregado para descrever o perfil daqueles que compõe a famosa classe C, também conhecida por nova classe média. Sociólogos de gabinete tem se ocupado na elaboração de teorias que possam explicar esse fenômeno, enquanto os marqueteiros de plantão estão empenhados para traçar o perfil desses novos consumidores disponibilizando diversos produtos em diferentes nichos de mercado.

Segundo o Governo Federal 94,9 milhões de brasileiros (50,5 da população) pertence a nova classe média o que a torna dominante do ponto de vista eleitoral e econômico

O lema do momento é afirmar que a classe C segura a economia do país, e eu me pergunto se de fato não foi sempre assim, afinal quem é essa enigmática classe C, se não a massa composta por trabalhadores ocupados na produção do capital que recebe em troca algum valor em espécie que possibilita o seu acesso ao consumo? Qual a novidade que sejam esses que seguram a economia do país, pagando os impostos mais caros para sobreviver e dispensando toda a sua renda em consumo básico para suas necessidades cotidianas?

Se analisarmos o processo da construção econômica do Brasil em contraposição ao processo de regulamentação do trabalho, podemos obter resultados precisos sobre o papel do trabalhador no desenvolvimento econômico do país. O trabalhador desenvolve a mão de obra e por outro lado devolve sua renda em consumo, no exemplo mais clássico da relação da mais valia no processo capitalista.

O trabalho sempre foi o principal alicerce para as transformações econômicas que por sua vez desencadearam uma série de transformações na ordem social no Brasil. O trabalhador é o ator fundamental para tais processos, pois é ele que compõe a massa ativa da população, que não só faz parte na história, como faz parte ativamente da história do país.

Segundo o Instituto de pesquisa Data Popular, a classe C é responsável por 78% do que é comprado em supermercados, 60% das mulheres vão a salões de beleza, 70% dos cartões de crédito no país e 80% acessam a internet.

Empresas que até então segmentavam o atendimento à classe rica da população estão criando linhas específicas para disponibilizar produtos acessíveis, visando seduzir a classe ativa que mais oferece chance de consumo. Até as imponentes cias. aéreas estão buscando parcerias com lojas populares como “Casas Bahia” para atender esse novo publico.

É fato que uma parcela da população está tendo acesso a produtos e serviços que até então eram considerados supérfluos e luxuosos, entretanto esse cenário não significa que a ascensão social no Brasil é possível diante desse fenômeno, pois ainda existe uma parcela muito grande de pessoas que se encontram à margem desse processo, impossibilitadas inclusive de se tornarem números de pesquisas.

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