“Ninguém nasce mulher, se torna mulher” Simone Beauvoir

O que é “ser mulher” não é biológico. Defendo enfaticamente isso, assim como fiz ontem na mesa do bar (sociologia de boteco). Escutei que “a mulher é por natureza mais sensível que o homem, inclusive isso pode ser percebido nas crianças”. Não, claro que não! A sensibilidade da mulher é estimulada desde criança, aliás antes de nascer já fazem planos sobre ela. Enquanto a sensibilidade do homem é podada. Um menino sensível por exemplo é reprimido, sendo certos comportamentos associados à feminilidade. Dessa forma, as barreiras condicionam os comportamentos dentro de um processo de socialização o comportamento dos indivíduos.

É importante refletirmos sobre isso, porque sem a reflexão nos privamos da liberdade. Sem refletirmos, deixamos que tudo o que aparentemente é natural nos condicione a nos tornarmos algo apenas pelo anseio em corresponder a ordem das coisas tal como nos foi apresentada.

Quando nascemos estávamos despidos de valores, disse Sartre. Tudo o que nos tornamos depois é resultado de um processo de socialização. Ou seja, o meio o qual vivemos possibilita diversas escolhas e é essa relação com a exterioridade que nos transforma em sujeitos, que nos diferencia. Cada decisão é uma escolha, até a renúncia de uma decisão é escolha. Dessa forma, a liberdade está em nossa essência, por mais que existam processos que (cada vez mais) tendem a operar como mecanismos de controle no próprio corpo do sujeito, ainda assim somos demasiadamente livres.

Nesso ponto cito Rousseau, que nos lembra que o indivíduo que Locke e Hobbes consideram o homem em seu estado de natureza, é na verdade o indivíduo social resultante de um processo específico da ordem capital. O indivíduo em seu estado de natureza dessa forma não pode ser associado e generalizado pela referência de uma construção social e política específica. Também não podemos associar liberdade com a sua sua forma enquanto direito, essa liberdade também é uma construção datada, mais precisamente consequente do pensamento liberal.

Se a liberdade está na essência e se nos tornamos o que somos em um processo de socialização, não caberá ao outro dizer o que é mulher e como deve ser a mulher.

Somos biologicamente mulheres, entretanto o que é “ser mulher” e o que é ser “homem” não é biologógico é social. Pensando assim, podem aplicar essa teoria em tudo o que apontam para vocês e falam que é naturalemnte da mulher, mesmo as coisas que parecem belas como a maternidade se apresentará como um fardo para a mulher. “Mulher nasceu pra ser mãe”. Quem foi que disse que nascemos para ser mãe? Nascemos para sermos livres e dialogarmos com as opções do mundo, dentre elas, ser mãe ou não.

Importante separarmos o indivíduo bilogógico e o indivíduo social.

Podemos ser o que quisermos, se assim desejarmos.

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