A ascensão do resto

A ascensão do resto, Fareed Zakaria.

Considerações relevantes sobre o texto.

Fareed Zakaria ressalta que esse livro não é sobre o declínio dos Estados Unidos, mas sobre a ascensão de todo o resto. O autor chama atenção para os aspectos que compoem uma nova fase do poderio global. As mudanças não ocorrem como rupturas bruscas, e sim num processo lento e gradual em que alguns atores se movimentam de maneiras diferentes.

Segundo o autor, houve três mudanças de poder tectônicas nos ultimos quinhentos anos, mudanças estas que reformularam o cenário internacional. A primeira, a primeira foi a ascensão do mundo ocidental na geopolítica global. Esta mudança produziu a modernidade tal a como conhecemos (ciência e tecnologia, comércio e capitalismo, revolução agrícola e industrial, e o prolongado domínio político das nações do Ocidente). A segunda mudança foi a ascensão dos Estados Unidos (após o processo de industrialização o país se tornou a nação mais poderosa desde a Roma imperial). A terceira mudança estaria ocorrendo no período atual, em que os Estados Unidos enfrenta algumas mudanças, perdendo alguns aspectos até então relacionados à sua supremacia.

Segundo o autor, o homem mais rico do mundo está no México, as 25 maiores empresas mundiais pertencem a países espalhadas pelo mundo (Brasil, México, Coreia do Sul, Taiwan, India, China, Argentina, Chile, Malásia e África do Sul). O maior avião é fabricado na Rússia e na Ucrânia, a maior refinaria está sendo construída na índia e as maiores fábricas estão na China.

Para o autor, essa mudança ocorre devido a difusão dos Estados para outros atores, o que considero um aspecto do processo atual da globalização. Embora o autor considere este um aspecto realmente global, sem deixar nesse capítulo maiores considerações sobre esta afirmação, abro espaço aqui para dialogar com o texto. O que o autor considera realmente global, talvez por analisar estritamente os Estados mundiais, considero que, levando em consideração outros fenômenos e atores, é uma outra face da globalização, o que não a classifica por “realmente global”. Embora os movimentos se deem de maneiras descentralizadas e em diversos espaços geográficos, o que possibilita esse processo continua sendo a exclusão de alguns países desse jogo. Países estes que continuam atuando de maneira passiva nas relações internacionais, sendo representadas por aqueles que dominam o cenário político. No que se refere ao petróleo por exemplo, o controle global sobre o aspecto gerenciador continua nas mãos de algumas potências. Em suma, os países que se destacam em alguns aspectos, possuem maior poder de negociação e até de estabelecer de que forma estas ocorrerão, legitimando alguns processos de acordo com interesses bilaterais. Pensando dessa forma, é interessante observar que mesmo os Estados Unidos perdendo alguns aspectos já mencionados, continua sendo um ator importante no processo decisório que vai desde a economia aos direitos humanos. Talvez isso ocorra por não ter perdido a supremacia do poderio bélico. Cabe uma análise mais profunda com base em outras literaturas para continuar esta reflexão, inclusive checar se ela tem fundamento.

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