O MACHISMO NAS SUBCULTURAS RUEIRAS

Compartilho o texto de um grande amigo, que apresenta um tema muito interessante para ser discutido. Além de desmistificar o movimento RASH, ainda apresenta a questão da sexualidade e gênero presente nas subculturas rueiras.

Extraído de http://projetopanterasnegras.blogspot.com.br/

Texto de Royo y Negro

 

Questão:

O Machismo entre movimentos libertários que neste caso o debate se dá no ceio da cena  RASH (Reds and Anarquist Skinheads), Skinheads comunistas e anarquistas, cessão de São Paulo, é hoje uma questão de contradição que vem ganhando relevância para pessoas que participam deste coletivo, pois carrega em si , algo que em tese, é muito combatida por estes grupos. Contudo muitas atitudes, muitas vezes inconscientes, denotam a prática contínua do machismo sofrida por suas companheiras. Embora seja formado por pessoas que defendam a igualdade de classes, de raças, de gênero, as mulheres skingirls- comunistas e anarquistas, reclamam que não são tratadas em condição de igualdade em relação aos homens.  A grande reclamação surgira na cessão paulista da RASH é por fim, o problema que coloca em contradição a proposta de ação e até de existência de um movimento que se diz libertário.
A relação de igualdade de gênero e condições de militância, de camaradagem, de fidelidade e lealdade a luta de classes são ainda maiores com as mulheres. As mulheres skingirl anarquistas e comunistas, entendem que sofrem com a discriminação involuntária que seus companheiros praticam. O reconhecimento de pertencimento a um grupo social juvenil como este, reclama por liberdade , igualdade e fraternidade. Contudo , sendo elas  vítimas de um sentimento de opressão e violência entre gangs , a skingirls reclamam que não são ouvidas e assim, propõem que a RASH se alto avalie, principalmente os homens, que deveram refletir sobre seus atos e comportamentos com as mulheres.
Daí surge a questão: Seria possível compreender o por que de tal pratica em um grupo que assume libertário e revolucionário?
Resposta:
Partindo de uma análise foucaultiana, muito embora, (e certamente) o mesmo relutaria em assumir tal reconhecimento, penso que para responder esta questão, teremos que compreender as raízes históricas deste grupo social, surgido no meio urbano, na segunda metade do século XX na Inglaterra. Contudo, mais do que explanar acerca da genealogia da cultura skinhead,  julgo importante a necessidade de ter entendimento do tipo de relação de poder que se dá dentro de tal grupo e como ela pode ter relação direta na questão de gênero, muito embora seja um movimento de cunho libertário. Para tanto, é obvia a necessidade de ser fazer uma pesquisa de campo, com entrevistas e depoimentos, material este que obtive em reunião com o pessoal do coletivo RASH SP, onde a questão do machismo e do papel do feminismo a meu ver , para tal grupo ainda não ficou bem clara para eles, muito embora reclamam, sobretudo as mulheres,  do problema do machismo opressor no seio de um grupo que se diz libertário.

A sociedade ocidental tem em sua formação, todo um acumulo histórico-cultural e material que a caracteriza. Ao longo da história estes valores, que considero que pode ser compreendidos como forma de domínio de uma classe sobre outra, foram paulatinamente sendo apropriados e repensados para servir ao capital. Não tardou muito até os meios de comunicação, se apropriassem de alguns conceitos morais criados para reforçar este pensamento. As gerações avançaram no tempo e, no entanto, estes valores ainda fazem parte do cotidiano e da forma de se constituir o pensamento das sociedades que se alto proclamam civilizadas.

Uma ideia que se materializa muitas vezes no machismo reproduzido por mulheres que se colocam como objetos, como brinquedos baratos que o homem pode usar e se desfazer. Este discurso,  parte de mulheres que consideram essa liberdade individual da mulher algo repulsivo e errado, reproduzindo o pensamento cristão puritano e moralista do sec. XIX, para seus filhos e netos. Muitas feministas defendem que este é apenas um momento em que a mulher exerce a liberdade a qual ela buscou ao longo da história. Liberdade de se vestir, de transar quantas vezes e com quem quiser.
A indústria cultural exerce um papel fundamental para que se instaure tal fenômeno social, lançando modas, tanto no plano estético como no plano musical e comportamental. Nas grandes capitais, a todo o momento surgem grupos de pessoas que se unem segundo afinidade ideológica, estética, musical e comportamental. No século XX de certa maneira isso se acentuou com surgimento de grupos sociais que aglutinam todos estes fatores, criando identidades próprias.
Desta maneira, sobretudo nos anos de 1950 o jovem passa a ser protagonista nos grandes acontecimentos culturais, verdadeiras revoluções, seja no plano político, cujo ícone maior seria Che Guevara, ou musical, tendo Marlon Brando e Elvis Presley, figuras que seriam ícones de rebeldia, associada ao Rock & Roll. Revoluções, políticos-culturais, estéticas, musicais, sexuais, comportamentais em um mundo polarizado dor ideologias que ameaçavam a paz e a vida mundial. Neste contexto surgem crises, desemprego, racismo, lutas de classe dentro de uma sociedade onde  a desigualdade social, é o  combustível maior do sistema capitalista. Em 1978, não som os Bealtes e os RollingSyones e Jimmy Hendrix, mas  som do rockabilly, surf rock, do garage rock, tomam conta de rádios e TV´s do lado ocidental do mundo. Estados Unidos e Inglaterra vendiam uma ideia de juventude roqueira, rebelde, fora dos padrões sociais convencionais, loucos por descobertas, pelo novo, pela aventura, pela revolução. Seja com cabelos cumpridos, ou topetes e costeletas ou por fim cabeças raspadas, os Skinheads¹.
A história desta subcultura, tido como rueira, demonstra que desde o início há entre skins, seja ele de extrema direita, esquerda ou apolítico pontos em comum que vão além dos coturnos, suspensórios e cabeças raspadas:
Vangloriam-se de sua origem operária, frequentam bares (pubs) que se tornam ponto de encontro do que eles chamam de crew, ou skinhead zone, muitas cerveja. É uma cultura, cuja própria existência se deve a música negra, em específico o ska-skinhead, soul e reggae nos anos 60 Como Lauren Aitkens, Desmond Dekker, The Upsetters e The Specials
.
Jovens oriundos de bairros pobres e operários, filho e netos de trabalhadores  de subempregos, cujo objetivo era o de manutenção da vida, pura sobrevivência, estes jovens juntavam-se em , trajando calças rotas, botas militares e botinas de operário, suspensórios e camisetas polo e simples. Seus cabelos eram raspados mas não na alutra 0 e sim de 1 à 4 .Frequentavam lugares marginalizados, onde a musica negra jamaicana dava o tom da diversão. Jovens negros e brancos se uniam em torno do Ska e do Reagge e raspavam o cabelo para simbolizar a igualdade entre as raças. A moda pegou e tal estilo foi batizado nas musicas de Lauren Aitkens, Skinhead (cabeça raspada), além de outras musicas que sita o mesmo termo.
Mesmo que o motivo dos garotos rasparem a cabeça fosse para ficarem semelhantes aos imigrantes  jamaicanos, que além do racismo eram vítimas de desemprego e todos outros problemas ligados a desigualdade social e racial, isso não impedia os ataques contra os paquistaneses. Praticavam o Pack Bash, que eram agressões contra a comunidade paquistanesa que vivia em Londres. Estas tretas contra estes imigrantes acabaram por reforçar, já em surgimento, a aura de racista dos skinheads, que também nutriam um conhecido ódio pelos hippies e a cultura pop da época e toda a história paz e amor, sexo drogas e rock and roll. As tretas com os hippies eram tão inevitáveis e violentas quanto com os paquistaneses ou com, os Hell-angels (gang de motoqueiros mais violenta que já existiu) os Rockers e os Mods, mas não havia motivação política em primeiro plano, havia sim, vontade de aventura, a diversão era na briga, na postura de gang que se alto afirmavam skinheas. Muitos skins eram hooligans e pertenciam as mais diversas torcidas de futebol.
As garotas também entram nesta história, as skingirls com cabelinhos extremamente curtos, estilo feathercut com franjinhas retas e saias curtas, algumas com coturnos e calças justas, mas surgiram como coadjuvantes, numa cena criada para meninos. O plano era exibir sua virilidade para as garotas skingirls, dançando ou exibindo seu melhor look, ou até mesmo, brigando. Essa exibição tinha de certo a necessidade de alto-afirmação enquanto skinhead e de afirmação uns para os outros enquanto tal. Era uma moda dos subúrbios de Londres, que negava a sua entrada para as grandes corporações da indústria cultural e que desta maneira tornava-se o estilo definitivo de uma gang que se proliferou e internacionalizou-se.
O Oi! É um termo que significa união e todos os skins do mundo usam este termo como símbolo. A banda de rock  Shan 69, nos idos de 1972 começaram a produzir o que eles chamariam de Oi Music, ou street punk. O filme Holandes, Laranja Mecânica de 1972, tornou-se Cult para skinheads do mundo todo até os dias de hoje, embora não seja um filme cujos personagens sejam skins, sua história carregada de temas discutidos pelos mesmos e é claro as tretas.
Essa contradição que se dá analisando o que falavam e o que faziam, nos anos 70 serviu para que o National Front Inglês¹ arrebanhasse jovens skins revoltados com a recessão que o país vivia, que fossem bons de briga, inflamados por um discursos extremamente nacionalista e rascita, de supremacia branca. A banda SkilDriver é a primeira banda a se assumir nazi e é a responsável por aglutinar  skins em torno de tal ideia. Desta maneira, muitos skinheads aderiram ao pensamento político de extrema direita hitleriana. Foi um momento que a cena skinhead sofreu um raxa. Havia skins
[1]nazis e apolíticos e até comunistas, embora estes últimos não se organizassem  em bandos , tal como fazem os nazis. Os jovens se encontravam em situação de desemprego e desesperança e em 1977. Foi o auge da cena punk, momento de extrema fúria, retratada nas músicas e no visual pesado e chocante dos punks. A relação entre punks e skins sempre foi cheia de amor e ódio. Mas com a chegada dos skins nazis a coisa ficou feia.  Em 1982 a cena londrina, bem como de muitos lugares da Europa, já tinha muitos seguidores, sobretudo nacionalistas e nazistas, principalmente em países como a Alemanha, Holanda,  Suécia e França, este último o National Front Inglês mandava ajuda financeira para a propaganda neo nazi deste grupos.  A guerra das Malvinas (Falklands) foi outro motivador para o aumento do sentimento de nacionalismo e o aumento da banca skinhead nacionalista inglesa. O skinhead de raízes negras, de 68 cada vez mais ficava no passado.
Já nos anos 80, a cena punk, agora com bandas de hardcore como The Exploited, GBH. Discharge, The Varukers, Conflict, Chaos UK, começa a se organizar contra os skins nacionalistas. Neste mesmo momento surgem os anarcho-punks (punks anarquistas), com bandas como Conflict e Crass como porta vozes. As brigas nas ruas e shows começaram a ficar cada vez mais violentas.
No Brasil, os skinheads chegaram com a cena punk, no início dos anos 80, cuja ligação com a música, trazia nomes de bandas street punk e Oi inglesas como The Angelic Upstairs, Shan 69, The 4 skins, The Business, The Blitz. Parte da turma que compunha a primeira geração de punks paulistas, jovens de regiões como São Miguel paulista, Cangaíba, Itaquera, Guaianazes, começaram a raspar o cabelo tal como os caras das bandas inglesas e usar o visual de coturno, tatuagens e  suspensórios, porém pouco ou quase nada sabiam sobre as origens dos primeiros skins, sobre o espírito de 68²[2]. Surgem bandas como Vírus 27, Caos 64 e Garotos Podres, ícones da ceno OI! Nacional.  Estes seriam tal como se alto batizaram, os Carecas do Subúrbio. Praticamente na mesma época, início dos anos 80 surge os Carecas do ABC e a versão assumidamente nazista, White Powers (poder Branco). Os Carecas do subúrbio e os do ABC só possuem o visual e o amor por tretas em comum com os primeiros skins inglesas, pois o resto de sua “ideologia” é pautado pelo nacionalismo, moralismo pesado, homofobia, xenofobia. Perseguem punks, góticos, headbanger (metaleiros), hippies, nordestinos e estrangeiros, gays  e lésbicas e possuem um especial ódio por comunistas e anarquistas. Muitos são adeptos do integralismo. As garotas raramente usavam o “visu” skin, principalmente nos anos 80 e 90. Sua conduta moral enquanto mulher era regulada pela posição extremamente conservadora deste grupo. Uma garota skinhead, não pode “sair ficando”, ou namorando  com todo mundo e quando isso era percebido pelo, tendo como forma de repressão ser chamadas de punkete, paga pau, Maria coturno, vadia, entre outras coisas, até ser expulsa da banca³ e em alguns casos, agredida. Se quiser namorar alguém do grupo, será com este cara e pronto. Ninguém mexe com ela e ela não pode pisar na bola (trair) com ele. Neste caso antes de ser uma skingirl, ela é a namorada do careca fulano de tal. Sua identidade se ofusca por causa de tal conduta moral.

Em reação a tudo isso, surgem nos anos 90 a SHARP (Skinheads against racial prejudice)  surgido em Nova Iorque que reivindicam o chamado espírito de 69, o skinhead tradicional , vinculado a cultura ska e a RASH (Red and Anarquist Skinheads) surgidos na França e nos Estados Unidos. No Brasil, a cena surgiu nos idos de 2005 com coletivo RASH SP  e que hoje possui várias células em Estados como São Paulo, Santa Catarina, Ceará, Bahia, e a cada dia surgem mais seguidores amantes da cultura skinhead, mas de ideologia comunista e anarquista. Sua principal bandeira é a luta contra os grupos fascistas, os skinheads nazis e nacionalistas (nazionalistas). Confraternizam-se com punks, rappers e qualquer um que tenha em comum com a RASH a luta contra o fascismo, que seja ANTIFA (Antifascita), exceto com os anarco punks por considera-los sectários.

As mulheres que se assumem como skingirls anarquistas e comunistas demonstram ostentarem orgulho da cultura em que estão inseridas, contudo, a questão levantada e que ganha relevância ao analisar a discussão de relação de poder estabelecida entre homens e mulheres, a meu ver, transcende o fato de tal tema estar sendo abordado a partir de uma discussão originada em uma facção de extrema esquerda skinhead. Há um grande medo, compreensível até, que a cena RASH se permita a infelicidade de ter em seu meio,  condutas conservadoras, como as citadas e praticadas pelos Carecas do Subúrbio e do ABC. O machismo, combatido e questionado pelas “skingilrs” da RASH SP, na verdade é algo “incucado” no modo de vida, sobretudo para o que se convenciona chamar de civilização ocidental. Vale ressaltar que, o que é falta de liberdade, autoritarismo, opressão aos olhos da sociedade ocidental, cristã e branca de classe média, em outros lugares do mundo é algo absolutamente comum. Isso acaba por se tornar na prática em de maneira quase banal, absorvido pelas massas, pelas famílias, que transmitem aos filhos tais valores, reproduzido-as de modo que se tornarem senso comum e que às vezes passando a fazer parte do cotidiano das pessoas. Existe neste caso uma relação, como já dito pelo acumulo histórico e cultural que formou a sociedade moderna, cujos valores se reproduzem no dia a dia. Nestes termos o homem ainda está condicionado a ser o protagonista e a mulher coadjuvante, mesmo em grupos que defendem a mudança nestes termos. O skinhead tem como maior ostentação, sua virilidade. Praticam musculação, artes marciais, gostam de roupas militares, principalmente os neo nazis, e vanglorizam-se de suas conquistas amorosas e sexuais, seja com garotas skin ou não. As skingirls não possuem esta liberdade e em termos de roupas e atitude, motivada pela ideologia do grupo que ela fizer parte, se coloca como skin também, mas sempre é uma personagem secundária na cena skinhead.
Para os skinheads da RASH, estas são questões superadas e se colocam como libertários,  partidários da liberdade de escolha dos indivíduos da banca, desde que mantendo a coerência com a forma de agir e pensar da RASH, tal como declararam em entrevista concedida para o apresentador Cazé para o programa Grampo da MTV, em agosto de 2011 (http://www.youtube.com/watch?v=I9xf3KAhcqs).
Busca-se neste caso a quebra de um tabu, anterior à luta assumida pela RASH. Uma luta que reclama igualdade, liberdade e fraternidade (pilares da ideologia da RASH Internacional) racial, sexual, e de classe tal como os mesmos dizem, mas que na prática, falar de liberdade é negar a igualdade, e falar de igualdade e negar a liberdade e fraternidade.  A fraternidade entre classes, é algo indizível, é como negar a histórica luta de classes, promovida pelo capital, que promoveu o racismo e o sexismo e todo tipo de desigualdade. Logo, o problema aqui é entender como se dissemina este tipo de comportamento em tal grupo, penso que por meio da compreensão da histórica relação de poder, baseadas em valores Cristãos e do sistema capitalista, que tem como padrão a hierarquização e a individualização dos indivíduos que compõem a sociedade ocidental, padrão este que é o ponto de ancoragem em termos de relações internacionais, mas também influi nas relações mais prosaicas, como em grupos familiares, amigos e culturas de sociedades alternativas como esta, que negam os costumes dominantes da sociedade. Os meios de comunicação e a indústria cultural exercem um papel fundamental na massificação de ideias que venham a contribuir com manutenção de um modelo desigualdade sociedade, hierarquizando-a em todos os tempos e níveis de relações. São micro-poderes que se sustentam desta maneira e que se instalam em pequenos grupos sociais, e se enraízam e multiplicam-se na sociedade.
As garotas da RASH não querem ser vistas como a “mina” do skin fulano de tal. Este é um micro exemplo de aplicação de poder entre gêneros, que implica imediatamente na afirmação de um indivíduo na anulação de outro e que desta maneira o debate que busca compreender o porquê desta situação, acaba por elucidar situações cotidianas em uma amplitude em termos de sociedade muito maior, daí a importância desta discussão. Em tom de denuncia, tal reclamação das skingirls da RASH se encaixa no que Foucaut diz a respeito da resistência diante de certo tipo de poder exercido pelos homens, e (ou) estabelecido:
“o discurso veicula e produz o poder; reforça-o, mas também o mina, expõe, debilita e permite barrá-lo. Da mesma forma, o silencio e o segredo dão guarida ao poder, fixam suas interdições; mas, também , afrouxam seus laços e dão margem a tolerâncias mais ou menos obscuras”.
Tendo na relação de poder um dado histórico e que per se merece uma análise cuidadosa, Michel Foucaut apresenta em sua obra, “A História da Sexualidade”, uma análise política de poder, que segundo ele está enraizada desde longe na história do Ocidente. O autor analisa a função da a mulher ocidental, que segundo ele, seria meramente para uma relação de  reprodução, heterossexual. O sexo e a sexualidade passaram a serem coisas controladas pelo Estado. Muitas das biopolíticas se utilizam destes controles criados acerca da sexualidade e da conduta da mulher. A desobediência a este controle é algo pernicioso para o Estado, que lança mão de retórica que recorrem a religião para manutenção do controle. Assim, a desobediência de tais formas de controle além de um ato que agride os interesses do sistema dominante, tem na ideia de pecado a ajuda necessária a construir uma pensamento que leva ao entendimento de a conduta moral e social criada pelo sistema, seria a “ mais adequada para controlar as pessoas”, buscando a manutenção de sua própria existência, estabelecendo a relação de poder entre Estado e cidadão. Esta forma de pensar foi veiculada ao senso comum graças a ação do pensamento cristão, seja católico ou protestante. Logo, a liberdade de escolha de parceiros e formas de prazer são tratados  de maneira a marginalizar a mulher que se desviar da conduta que o sistema cria para mantê-la sob o controle. O prazer se torna algo relacionado com a patologia e que deve ser tratado.
“A sexualidade é o nome que se pode dar a um dispositivo histórico: não à realidade subterrânea que se apreende com dificuldade, mas a grande rede da superfície em que a estimulação dos corpos, a intensificação dos conhecimentos, o reforço dos controles  e de resistências, encadeiam-se uns aos outros, segundo algumas grandes estratégias de saber e de poder”. Michel Foucault.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O combate às práticas machistas adquiridas a partir das formas de poder e controle desenvolvido ao longo da história já começaram com a denúncia de que existe este problema no seio de um movimento libertário. O termo machismo, que vem em oposição ao termo feminismo, que a priori reivindica uma série de direitos e conquistas para as mulheres e a igualdade de condições é uma ou a mais importante delas. No caso da contracultura skinhead ainda que este seja, no caso da RASH, um grupo de skinheads de esquerda, o discurso e a conduta de autoafirmação de gênero masculino aparece, sem sombra de dúvida alimentada pelo acúmulo histórico e cultural da sociedade ocidental, onde o domínio do homem sobre a mulher já começa na Bíblia se lembrar-mos de que nela diz que Eva veio das costelas de Adão, dando a ela, a mulher, um injusto papel secundário na história da humanidade.
 
Referencias: Bibliografia
MARSHALL, George, Espírito de 68 , A Bíblia dos Skinheads, Ed. Trama Editorial, trad. E notas adicionais de Glauco Mattoso 1991
RUBRONEGRO, Anarcoskiheadzine, 1ª edição- agosto de 2009, Salvador Bahia,
FOUCAUT, Michel , História da Sexualidade, I  A Vontade de Saber, 16ª edição, Ed. Graal, Bibliotecas FESPSP
FOUCAUT, Michel, Microfísica do poder, 10ª edição, editora Graal, Biblioteca FESPSP
DIALÉTICA DO ESCLARECIMENTO, fragmentos filosóficos, Theodor W Adorno e Max horkheimer, Jorge Zahar editor, RJ
Sites:
Vídeos:

R.a.s.h Bogotá – Entrevista Canal Capital (///):

[1]       Partido nacionalista de estrema direita inglês com inspiração nazista
[2] Skinheads trojan (também conhecido como skinheads tradicionais ou trads) são indivíduos que se identificam com o original britânico skinheadsubcultura do final dos anos 1960, quando o ska rocksteady , reggae soul music eram populares, e houve uma forte ênfase na mod de influência estilos de roupas . Nomeado após a gravadora Trojan Records , os skinheads se identificam com a subcultura do jamaicano rude boy e britânicos da classe trabalhadora raízes mod. Devido à sua apreciação da música tocada por negros , eles tendem a ser não- racista , ao contrário dos skinheads poder branco .  skinheads de Tróia normalmente se vestem de um típico estilo skinhead 1960, que inclui itens como: botão baixo Ben Sherman , camisas Fred Perry camisas pólo ,suspensórios , montados ternos blusas cardigan blusas sem mangas jaquetas Harrington Crombie de estilo sobretudos.  O cabelo é geralmente entre um 2 e 4 grau clipe guarda-(curto, mas não careca ), em contraste com os cabelos mais curtos influências pela cena do punk – Oi! dos anos 1980.

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