Os botões de Napoleão; As 17 moléculas que mudaram a história

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Escrito pelos químicos Penny Le Couteur e Jay Burreson, o livro propõem analisar fatos históricos pela perspectiva da química. Portanto, este não é um livro sobre a história de química; é antes um livro sobre a química na história.

Em Borizov (região no oeste da Rússia) um observador descreveu o exército francês como “uma multidão de fantasmas vestidos com roupa de mulher, retalhos de tapetes ou sobretudos queimados e esburacados”. O livro sugere que os soldados da Grande Armada teriam sucumbido ao fatal inverno russo, pois, entre outras coisas, o estanho (material presente nos botões das fardas dos soldados) se esfarelam em baixas temperaturas, e caso fossem outras as partículas moleculares das roupas do regimento de Napoleão, a história poderia ter sido outra. Os metais, como o estanho, o ouro e o ferro são elementos que não podem ser decompostos em materiais mais simples por causa da reação química. Esses e outros elementos mudaram os rumos da história e foram cruciais para o desenvolvimento humano. A exemplo, o isougenel é o elemento químico responsável pelo cheiro da noz-moscada, que por sua vez era interessante para os ingleses no Tratado de Breda. A Europa estava assombrada com a peste negra (doença bacteriana provocada pela picada de pulgas em ratos e transmitida ao homem), e acreditava-se que ela agia como um pesticida natural contra os insetos.Embora pareça um mito medieval, é perfeitamente possível que o isougenol atuasse positivamente para repelir insetos, como as pulgas transmissoras de doenças. Hoje o idioma de Manhattan não é o Holandês graças ao Tratado de Breda, ou ao isougenol. O livro mostra como pequenas moléculas estão intrinsecamente ligadas à história. “Uma mudança tão pequena quanto a posição de uma ligação, o vínculo entre átomos numa molécula, pode levar a enormes diferenças nas propriedades de uma substância e, por sua vez, influenciar o curso da história”.(p.11).
A busca por especiarias, deu início à era das descobertas. A pimenta, usada pelos gregos como antídoto para venenos e pelos romanos na culinária, a princípio era uma especiaria luxuosa, mas com o tempo tornou-se indispensável para disfarçar o gosto das comidas conservadas em sal, ou disfarçar o sabor das comidas secas e insossas. Os consumidores usavam apenas o olfato para identificar a qualidade dos alimentos – o prazo de validade viria séculos depois.
A sensação picante que sentimos ao ingerir pimenta, não é um sabor, mas uma resposta dos nossos receptores nervosos de dor, a um estímulo químico. A piperina é uma substância orgânica composta por oxigênio, hidrogênio, carbono e nitrogênio. Vale ressaltar que quase todas as moléculas apresentadas nesse livro são orgânicas, que por sua vez, são átomos de carbono com quatro ligações. Em sua segunda viagem às índias Ocidentais, Colombo encontrou no Haiti, o chile, que seria uma nova especiaria incorporada na culinária mundial. O chile é uma das várias espécies de pimenta, que possui o composto químico capsaicina, responsável pelo seu sabor e ardência. A capsaicina possui estrutura molecular semelhante a piperina. Ambas possuem átomos de nitrogênio, vizinho de um átomo de carbono, duplamente ligado a oxigênio, com um único anel aromático, portanto ambas sendo picantes resultante da sua forma molecular. O gengibre possui a zingerona, que se assemelha em sua composição química, entretanto sem nenhum átomo de nitrogênio, sendo menos picante. A capsaicina, a piperina e a zingerona aumentam a secreção da saliva facilitando a digestão. O fato de algumas pessoas gostarem mais de pimenta, pode ser explicado pela sensação de dor, que ao ser captada pelo cérebro libera endorfina, proporcionando sensação de prazer final.
A piperina teria sido uma das principais responsáveis pelo início da complexa estrutura da bolsa de valores, pois foi através dela que iniciou o capitalismo, quando a Companhia das Índias Orientais foi formada para assegurar um papel mais ativo para a Inglaterra no comércio das especiarias das Índias Orientais e como os riscos associados ao financiamento do envio à Índia de um navio que voltaria carregado de pimenta eram altos, os comerciantes compravam cotas de uma viagem, limitando assim o tamanho do prejuízo potencial para um único indivíduo.
Enquanto as moléculas presentes nas especiarias deram início a era dos descobrimentos, pode-se dizer que a falta de outras moléculas poderiam ter resultado o fim dessa mesma era. A deficiência do ácido ascórbico (vitamina C) no organismo, causa inchaço dos braços e pernas, amolecimento das gengivas, equimoses nasais e bucais, hálito fétido, diarréia, dores musculares perda de dentes, afecções do pulmão e do fígado. Estes sãos alguns sintomas do escorbuto, doença que dizimava os navios em alto mar. Em até seis semanas em alto mar, já era possível encontrar sinais de escorbuto nos navios, pois os alimentos a bordo não possuíam a vitamina C, uma vez que as condições de armazenamento limitavam a alimentação à poucas variedades livres de bolor. A comida usual dos marinheiros era carne de vaca ou de porco salgada e uma espécie de bolacha, feita de água farinha e sem sal, até ficar dura feito pedra. Em relatos apresentados no livro, era comum que o mofo crescesse nas roupas, nas botas , nos cintos de couro, nas roupas de cama e nos livros dos marinheiros. Essas bolachas eram praticamente imunes ao mofo, entretanto também faziam com que os alimentos se tornassem difíceis de morder. O fogo era pouco utilizado, pois os materiais dos navios eram altamente inflamáveis, e os alimentos poucas vezes eram cozidos. O escorbuto matou milhares de pessoas, e embora alguns pesquisadores já associavam a doença à falta de vitamina C, muitos acreditavam que a doença era ocasionada devido o excesso de carne conservada no sal, ou sem quantidade suficiente de carne fresca. Algumas embarcações até conheciam as vantagens da dieta com vitamina C, porém a vitamina se perde nos alimentos mal conservados e as frutas cítricas frescas ou em conserva eram caras. O capitão da Real Marinha Britânica, James Cook foi o primeiro capitão a assegurar que suas tripulações estavam livres do escorbuto. Os métodos de Cook eram simples e baseados na higiene, fazendo valer o termo inglês shipshape (forma reduzida da palavra inglesa shipshapen: bem arrumado como um navio), e uma alimentação regada a frutas, que colhiam sempre que possível nos portos. “Graças a vitamina C, molécula do ácido ascórbico, Cook foi capaz de levar a cabo uma impressionante série de façanhas: a descoberta das ilhas Havaí e da Grande Barreira de Recifes, a primeira circunavegação da Nova Zelândia, o primeiro mapeamento da costa noroeste Pacífico, e o primeiro cruzamento do Círculo Atlântico”. (p.46). A palavra vitamina vem da contração de duas outras palavras vital (necessário) e amina (composto orgânico nitrogenado) e C, pois foi a terceira vitamina a ser identificada.
Outra molécula que influenciou os acontecimentos da história, é a glicose, importante componente da sacarose (açúcar). A molécula do açúcar afetou o destino dos países e continentes, estimulou o tráfico negreiro, e estimulou o crescimento econômico da Europa, e a Revolução Industrial, transformando o comércio e a cultura no mundo inteiro. Hoje, podemos encontrar numerosos doces “não-doces” como os adoçantes artificiais, que possuem estrutura química que imita a geometria dos açucares, costumam ser centenas de vezes mais doces (ao paladar)do que a sacarose, e estas são as bases milionárias das indústrias de adoçantes, que se apropriam de outras substâncias, como o aspartame ou o ciclamato.
O cultivo de outros produtos agrícolas, como o algodão, que consiste em 90% de celulose, também dependeu da escravidão. As consequências sociais do comércio do algodão foram enormes. Enquanto o comércio açucareiro forneceu o capital inicial para a Revolução Industrial, grande parte da prosperidade que a Grã-Bretanha conheceu no século XIX, baseou-se na demanda do algodão.

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2 pensamentos sobre “Os botões de Napoleão; As 17 moléculas que mudaram a história

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