Afonso Henriques de Lima Barreto

lima barreto

Mulato, filho de negros escravos Lima Barreto era libertário por essência.
Porque estou escrevendo sobre ele? Porque ao terminar de ler A Moreninha de Joaquim Manoel Macedo, remexi minha biblioteca e encontrei um fantástico livro de crônicas de Lima Barreto, e estou lendo desde ontem a noite com o propósito de terminá-lo ainda hoje até o anoitecer. Encontrei um Lima Barreto humano e ácido, manifestando-se contra os interesses aristocráticos e militares. Nesse livro é possível também observar as características do subúrbio do Rio de Janeiro no início do século já com fortes indícios de desigualdade. Desigualdade presente também no sistema educacional, onde o acesso à vagas para mulheres eram limitadas. Lima Barreto discorre sobre esse e outros aspectos sociais que o incomodavam e pelo que percebi, os jornais de hoje carregam as mesmas características de alguns jornais do passado, com comentários “negros” como lembra Lima Barreto, “isso porque no Brasil ninguém quer ser negro”.

Um dos críticos mais importantes do seu tempo, e por incomodar a aristocracia e os militares, teve uma vida tumultuada passando inclusive por alguns sanatórios, tido como louco.

Lima Barreto deu entrada pela primeira vez no Hospital Nacional de Alienados, na Praia Vermelha, na Urca, na então capital federal, em 18 de agosto de 1914. Aos 33 anos, transtornado e com alucinações supostamente provocadas pelo abuso do álcool, ele teve que ser detido e levado na camisa de força, a pedido de seu irmão”. A esta altura, já havia publicado em livro Recordações do escrivão Isaías Caminha. Editado em Portugal, em 1909, o romance sobre um rapaz do interior do Rio que vinha tentar a sorte na capital, acaba por trabalhar na imprensa e se depara com os maneirismos, trejeitos e vícios do nosso jornalismo, é recebido por um silêncio estrondoso, que incomoda o jovem escritor e jornalista“. (informações do livro Diário do hospício e Cemitério dos Vivos (Cosac Naify, 2010)

Os sinais da sua conhecida posição de rompimento com o nacionalismo ufanista ficam evidentes na crônica O Caso do Mendigo, quando ele finaliza “De resto, ele era espanhol, estrangeiro, e tinha por dever voltar rico. Um acidente qualquer tirou-lhe a vista, mas lhe ficou a obrigação de enriquecer. Era o que estava fazendo, quando a polícia foi perturbá-lo. Sinto muito; e são meus desejos que ele seja absolvido do delito que cometeu, volte à sua gloriosa Espanha, compre uma casa de campo, que tenha um pomar com oliveiras e a vinha generosa; e, se algum dia, no esmaecer do dia, a saudade lhe vier deste Rio de Janeiro, deste Brasil imenso e feio, agarre em uma moeda de cobre nacional e leia o ensinamento que o governo da República dá… aos outros, através dos seus vinténs: “A economia é a base da prosperidade“. Bagatelas,1918.

Compartilho o link com todas as crônicas disponíveis para leitura.

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/lima-barreto/o-caso-do-mendigo.php

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