Nelson Rodrigues, o porco chauvinista

Escrevi isso em Dezembro de 2012, mas como o porco ainda me incomoda, decidi postar o que estava na lixeira desse blog…quem quiser ler, tá aí, minha opinião registrada.

Esse ano, comemorou-se o centenário do “maior dramaturgo” da língua portuguesa. Sim, esse post está um pouco atrasado, a comemoração ocorreu em Agosto de 2012. A falta de tempo me impossibilitou escrever algumas linhas sobre a comemoração.

Autor de frases como A mulher tem diluído em seu sangue milênios de submissão, e quando o homem não a domina, ela passa a desprezá-lo” e “ Para bater na mulher não é preciso ser casado, o homem pode ser namorado, noivo ou amante. O jogo amoroso exige na hora certa a violência masculina“, Nelson Rodrigues provocou também a revolta das feministas assim classificadas por ele “ Acho que todos os chamados movimentos de libertação feminina são liderados por machos mal acabados. Não aceito ser chamado de porco chauvinista, porque minha posição decorre exclusivamente da natureza humana“.

O que estamos comemorando? 

A cada 05 minutos uma mulher é espancada no país. O mapa da violência de 2012, pesquisa coordenada e recém concluída pelo sociólogo Júlio Jacobo, mostra uma clara diferença entre assassinatos de homens e mulheres: “Homem morre primordialmente na rua. Homem morre primordialmente por violência, entre os pares, entre os jovens, na rua. Mulher morre no domicílio, na residência”, explica Jacobo.

Nelson Rodrigues associa à submissão feminina ao amor, a violência masculina à moralidade. A moralidade está no plano central das publicações, segundo o próprio autor. “Minhas peças têm um moralismo agressivo. Nos meus textos, o desejo é triste, a volúpia é trágica e o crime é o próprio inferno. O espectador vai para casa apavorado com todos os seus pecados passados, presentes e futuros. Numa época em que a maioria se comporta sexualmente como vira-latas, eu transformo um simples beijo numa abjeção eterna.” RODRIGUES, Nelson. “Moralismo,” in: Flor de Obsessão. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 109.

A parte, comemoro um pensamento medíocre a menos. E lamento, por consagrarmos um tipo deste, e dou graças por não termos seu nome associado a academia brasileira de letras. Embora essa instituição deixe muito a desejar, quando por exemplo não consagra Lima Barreto e por outro lado concede uma cadeira a Paulo Coelho.

Bom, são duas da manhã, melhor sossegar minhas inquietações no travesseiro.

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