Prefiro Crush

O tempo passa e a gente vai percebendo que está ficando velho com alguns sinais. Importante deixar claro que acho terrivelmente dramático aqueles e-mails, tipo correntes, que alguns amigos enviam repletos de nostalgia dos pirocópteros, Cavaleiros do Zoodíaco e Caverna do Dragão.

Claro que tudo isso era bom, e ainda me pego na internet vendo alguns daqueles seriados, como Anos incríveis, Confissões de Adoslecente, o Mundo de Beakman, Cavaleiros do Zoodíaco,contos da meia noite e por aí vai. Salve o youtube: tudo está disponível na net, e não vejo nenhum problema com a “idade da razão” sartreana se aproximando.

Mas percebi que realmente estou ficando velha quando escuto no rádio músicas que eram terrivelmente ruins e hoje se tornaram “clássicos”. Exemplo? Legião Urbana. Mais um? Nirvana. Teria mais um monte de exemplos seguidos por Guns and Roses e Pearl Jam.

Tenho a impressão que esse lance nostálgico resgata muitas coisas ruins e coloca num patamar acima do real apenas para satisfazer alguns egos feridos pela idade. Na literatura isso também acontece, como é o caso do Nelson Rodrigues, mas deixo isso à parte, e continuo me arriscando a falar de música, mesmo sendo apenas uma aventureira ouvinte.

Será que foi assim que o tecladinho psicodélico e chato do The Doors entrou para a história do rock? Cara, quem aguenta escutar um play inteirinho do The Doors? Na boa, prefiro choque. Nem vou citar Pink Floyd porque alguns fãs se tornam agressivos quando veem seus deuses serem blasfemados.

Esses dias vi uma guria com uma camiseta de algum NX0 da vida e um botom do Nirvana.Por dentro, excessos de risos.
Seria o emocore a evolução do Grunge, já que ambos afirmam possuir uma raiz punk, porém com uma versão dramática? Risos e provocações a parte, “prefiro crush”, como dia um amigo mais velho que morre de nostalgia pela extinta marca de refrigerantes.

Seattle ficou musicalmente marcada pelo grunge dos anos 1990, mas antes disso bandas como ATHE ACCUSED já haviam surgido na cidade. Com sons mais agressivos, porém com menos alvoroço, foram esmagadas pela indústria cultural dos anos 1990 e agora vemos os frutos dessa indústria cultural serem resgatados como “clássicos”.

Um tio me deixou diversos vinis que foram adquiridos por ele nos anos 1980, e quando passei a escutá-los (SODOM, VENON,SARCÓFAGO, e etc),compreendi a mediocridade dos fãs chatos que insistem cantar Faroeste Caboclo como um hino, ou uma espécie de mantra legionário.

Em uma analogia musical com a frase do meu amigo, eu afirmo que prefiro CRUST aos novos “clássicos”.

Fui.

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