Considerações sobre o texto de Nestor Duarte: A Ordem Privada e a Organização Política Nacional

DUARTE, Nestor. A Ordem Privada e a Organização Política Nacional. 2ª Edição. São
Paulo: Cia Nacional, 1966. (Cap 6);

O PROBLEMA POLÍTICO BRASILEIRO NA ATUALIDADE. A Nação e a Unidade Política. Redução de Problema e Redução de Solução. O Brasileiro Político e a sua falta de Historicidade. Como se reflete o Passado na Ação Atual. Irredutibilidades de Espírito e Costumes. As Contradições de que padece o Homem Público Brasileiro. O Fim deste Ensaio.
Para alguns, a maior empresa do Império, seria os eu caráter centralizador em prol da nacionalidade. Esse caráter centralizador estaria presente em nossa forma federativa de divisão de municípios. Porém, segundo o autor, reduzirmos o problema, reduzimos também a solução. O problema ainda revive hoje na opinião do país, dividindo partidos e correntes de idéias. O problema político brasileiro na atualidade; a Nação e a unidade política. O passado se reflete na ação atual.
Para o autor, o preconceito político ocorre quando associamos a nacionalidade com a centralização do Poder. A centralização do Poder seria apenas elementos materiais da sua composição orgânica. “Se uma nação é, antes de tudo, um conceito político, cumpre compreendê-la como uma comunidade, que é, e surpreender o espírito que a reflete e anima”.
Dessa forma, uma unidade nacional pode estar ou não centralizada, o que a confere enquanto unidade nacional é a sua unidade orgânica. Os contrastes de língua, o processo de colonização, os seus elementos étnicos sujeitos as mesmas reações e acomodações comporiam uma nação diferente dos países vizinhos. Porém, segundo o autor, sob o governo centralizado no território individido e íntegro, não se alcançou, porém a solidariedade política pela presença influente do Estado. “(…) a centralização centralizava até onde podia alcançar, mas seria ilusão pensar que alcançava até chegava e se estendia o território integralizado e indiviso”.
A falta de unidade política e consciência nacional das comunidades étnicas que se fundiram na extensão territorial, permitiram a centralização do Poder, mantendo o território íntegro por não ter encontrado forças que o levasse para outra direção. Vagas e raras representações traziam a idéia e o sentimento de uma nação.
O brasileiro político, definido pelo autor, é o resultado de um produto histórico irregular, deformado e incompleto, como irregular e deformado é o curso da vida do Estado brasileiro.
O sentido da nossa vida política (tanto no Império, quanto na República) é constituído pela demonstração do esforço por construir com a lei, antes dos fatos, uma ordem política e uma vida pública que os costumes, a tradição e os antecedentes históricos não formaram, nem tiveram tempo de sedimentar e cristalizar.
Todas as demandas discutidas são direcionadas para o Estado, como centralizador das ações. Este pede mais força e mais centralização, e como ele não tem vida própria, confunde todo este com a ação do seu governante. A noção de governo pessoal é resultado desse processo, onde se confunde a ação do governante com o poder pessoal do chefe de Estado.
O Brasil é uma nação nova, constituída de um povo velho numa velha ordem. O público e o privado se confunde, e ainda falta madurecer o homem político nas camadas da população. O Estado surge no Brasil de forma centralizadora, porém com uma organização que rompe com essa tradição peculiar e desorganizada. A nossa forma de pátria ou nação é geográfica e territorial, e esse sentimento é inassimilável ao mundo social. O homem social brasileiro é apolítico e anárquico quanto o mundo que nele revive.

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