Notas sobre “A Produção em Massa de Tradições: Europa, 1870 a 1914” Eric Hobsbawmam

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O fenômeno das tradições como invenções criadas por grupos oficiais e não oficiais (políticos).

As invenções oficiais surgem em estados ou movimentos sociais e políticos organizados, e as não formais por grupos sociais sem organização, ou não diretamente políticos, como grêmios e clubes.

O século XIX apresentou profundas e rápidas transformações que exigiram uma reorganização social que possibilitasse a coesão social. Era necessário novas formas de governos e estabelecer novas alianças, pois as práticas tradicionais já não atendiam os objetivos políticos.

 “A invenção das tradições políticas foi mais consequente e deliberada, pois foi adotada por instituições que tinham objetivos políticos em mente”. (p271).

A política do século XIX era, basicamente, uma política de dimensões nacionais, para fins práticos.

A sociedade civil e o Estado em que ela funcionava se tornava cada vez mais inseparáveis.

 → Estado, nação e sociedade eram fatores em convergência.

Os problemas dos estados e dos governantes eram sem dúvidas muito mais graves onde os súditos se haviam tornado cidadãos, ou seja, pessoas cujas atividades políticas eram institucionalmente reconhecidas como algo que devia ser considerado – mesmo que fosse apenas sob a forma de eleições. (pg.273). Agravaram-se ainda mais, quando os movimentos políticos de massas desafiaram deliberadamente a legitimidade dos sistemas de governo político ou social..l

 A predominância de instituições constitucionais liberais e ideologias liberais tornaram-se urgente frente a necessidade de ampliação da democracia eleitoral e políticas de massa.

 Importante observar que quem controlava todas as metáforas, o simbolismo, as tradições da República, eram os homens do centro mascarados de homens de extrema esquerda: os socialistas radicais proverbialmente “iguais rabanetes, vermelhos por dentro e branco por dentro, sempre indo do lado que mais lhes interessa”. (pg.278).

 Observa-se alguns elementos e mecanismos que são introjetados para solidificar as tradições da República, como no caso da França, que visava tornar camponeses em franceses e franceses em republicanos. Primeiro, a institucionalização do ensino com princípios dirigidos à nova ordem, segundo a inclusão de datas emblemáticas no calendário comemorativo e por fim, os monumentos e edifícios públicos.

 Já as invenções da tradições do Império Alemão, enfrentaram desafios para estabelecer a continuidade entre o Primeiro e o Segundo Império Alemão e enfatizar as experiências históricas específicas que ligavam Prússia ao restante da Alemanha na construção do novo Império em 1871.

Podia-se firmar um nacionalismo apenas por meio de dois artifícios: pelo conceito de um inimigo secular contra o qual o povo alemão havia havia definido sua identidade, e pelo conceito de conquista ou supremacia cultural, política e militar. (pg.282).

 Os edifícios e monumentos eram a forma mais visível de estabelecer uma nova interpretação da história alemã, ou antes uma fusão entre a “tradição inventada” mais velha e romântica do nacionalismo pré 1848 e o novo regime: os símbolos mais potentes foram os que conquistaram a fusão.

 Nos Estados Unidos houve a necessidade de assimilar um fluxo muito grande de pessoas que eram americanas não por nascimento, mais por imigração ao caráter nacional. Os imigrantes foram incentivados a compartilhar práticas que celebravam a história da nação – como a Revolução e seus fundadores (4 de Julho) e a tradição protestante anglo-saxã (Dia de Ação de Graças), em compensação, aceitaram rituais coletivos dos imigrantes, como o Dia de São Patrício, mais tarde o Dia do Descobrimento da América, e inseriu-os no contexto de vida americana.

 Por outro lado, o sistema educacional foi transformado num aparelho de socialização política através da veneração da bandeira americana que, da década de 1880 em diante, tornou-se um ritual diário nas escolas rurais. (Pg.288).

 → nos países que definiam a nacionalidade sob o ponto de vista existencial, podia haver ingleses ou franceses antipatrióticos e sua nacionalidade não seria colocada em dúvida ( a menos que eles também pudessem ser definidos como forasteiros). Nos Estados Unidos, porém, assim como na Alemanha, quem fosse “antiamericano” ou “vaterlandslose” teria seu status efetivo como membro da nação posto em dúvida.

 

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