Notas sobre “Comunidades imaginadas” – Benedict Anderson

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Comunidades imaginadas – Benedict Anderson

 

Introdução

 

O livro pretende oferecer, a título de ensaio, algumas ideias para uma interpretação satisfatória da “anomalia” do nacionalismo. A impressão que se tem, é de que tanto a teoria marxista quanto a liberal se estiolaram num derradeiro esforço problemático de “salvar fenômenos”.

 

O marxismo, historicamente tem se distanciado do tema nacional, tendo o próprio Marx preferido enunciar “O proletário de cada país deve, naturalmente, ajustar contas antes de mais nada com sua própria burguesia”. (1948). Embora exista esse “distanciamento”, nota-se que fatalmente os movimentos marxistas tem se afirmado em espaço territorial – nacional.

 

Observando os conflitos entre o Vietnã, o Camboja e a China, pode-se compreender a afirmação do autor que define o nacional e o nacionalismo, como produtos culturais específicos mas para buscar compreendê-los, deve-se fazer sobre o prisma de suas origens históricas.

 

Depois de criados, esses produtos se tornaram “moldulares”, capazes de serem transplantados com diversos graus de autoconsciência para uma grande variedade de terrenos sociais, para se incorporarem e serem incorporados a uma variedade igualmente grande de constelações políticas e ideológicas”. (Pg.30).

 

Conceitos e definições

 

Associar nacionalismo a uma ideologia causa problemas epistemológicos.

Tratar o nacionalismo de forma analítica, da mesma forma que se faz com a religião ou o parentesco, permite desassociar nacionalismo do fascismo ou liberalismo.

 O autor propõe analisar a nação, dentro de um espírito antropológico: uma comunidade política imaginada. Imaginada como sendo intrinsecamente limitada e, ao mesmo tempo soberana. (Pg.32).

 

A essência de uma nação, sugere Ernest Renam, consiste em que todos os indivíduos tenham muitas coisas em comum, e também que todos tenham esquecido muitas coisas.

 

As comunidades se distinguem, não por sua falsidade/ autenticidade, mas pelo estilo em que são imaginadas.

 

O conceito de nação soberana nasceu na época do iluminismo e a Revolução estavam destruindo a legitimidade do reino dinástico hierárquico de ordem divina. A garantia e o emblema da liberdade, passaram a ser o Estado Soberano.

 

Assim como Hobsbawman, o autor considera que não existem símbolos mais impressionantes da cultura moderna do nacionalismo do que os cenotáfios e túmulos de soldados. Mesmo estando vazios, sem ossos ou identidade publica, esses monumentos despertam um sentimento de comunidade, principalmente por representarem parte de um acontecimento histórico.

 

 

Unificar a fraternidade, o poder e o tempo foi um dos frutos da imprensa como mercadoria, que éa chave para a criação de ideias inteiramente novas sobre simultaneidade.

 

Em 1500 já haviam sido impressos pelo menos 20 milhões de livros. Em 1600 Francis Bacon julgava que a imprensa transformara o “aspecto e a condição do mundo”.

 

Importante lembrar que a literatura inicialmente era acessível apenas para os letrados, que pertenciam às classes privilegiadas. Porém, com a necessidade de ampliar o consumo desse novo “nicho”, edições mais acessíveis (vendáveis) passaram a ser editadas, não necessariamente em latim.

 

A Reforma protestante, também teve um papel importante nas publicações que passaram a disseminar conteúdos religiosos em proporções jamais atingidas em diversos territórios nacionais.

 → O que tornou possível imaginar as novas comunidades, num sentido positivo, foi a interação mais ou menos casual, porém explosiva, entre um modo de produção e de relações de produção (o capitalismo), uma tecnologia de comunicação (a imprensa) e a fatalidade da diversidade linguística humana. (pg.78).

 

O livro impresso guardava uma forma constante, capaz de reprodução praticamente infinita no tempo e no espaço. De forma crescente, temos acesso direto às palavras dos nossos antepassados.

 

A convergência do capitalismo e da tecnologia de imprensa sobra a fatal diversidade da linguagem humana criou a possibilidade de uma nova forma de comunidade imaginada, a qual, em sua morfologia básica, montou o cenário para a nação moderna.

 

Importante observar que a formação concreta dos Estados nacionais contemporâneos não guarda nenhuma relação isomórfica com o campo de abrangência das línguas impressas específicas. Cumpre observar o o grande conjunto de novas entidades políticas que surgiram no hemisfério ocidental entre 1776 e 1838.

 

 

 

 

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