Arquivo da categoria: Traças e Troços do cotidiano

De olho no que andam falando sobre nós

Eis que do alto do seu pedestal na coluna da Folha de São Paulo, Gilberto Dimmenstein insiste em soltar suas pérolas. Dessa vez o colunista observa a cidade (de cima para baixo, pra variar) e afirma que estamos caminhando para a civilidade no que se refere a mobilidade urbana.

Obviamente, o senhor Dimmenstein desconhece o resultado das recentes pesquisas que mostram claramente que as ruas da cidade não oferecem condições mínimas para pedestres e ciclistas. Nessas pesquisas, não somente as regiões periféricas como também as regiões tradicionais como a Av. Paulista são mencionadas pela falta de estrutura aos “passantes”.

Para não dizer que Dimmenstein está sendo tendencioso com essa matéria se apropriando dos recursos que possui para transmitir aos leitores que São Paulo está caminhando para a civilidade, diria então que o colunista está no mínimo desinformado, o que para alguém que é pago para transmitir informação é imperdoável.

Quando o autor dessa infeliz coluna fala sobre mobilidade, se quer menciona os pontos de sangrias desse problema que devem ser alvos de qualquer crítica. As sangrias a serem estancadas certamente são desconhecidas para Dimmenstein, como a situação caótica do transporte público. Qualquer cidade que se preocupa de fato com planejamento urbano e mobilidade dos cidadãos coloca o transporte público nas questões, como ordem do dia. O ex-prefeito da cidade de Bogotá (Bolívia) disse  sabiamente que uma cidade avançada não é aquela que todos os pobres tem condições de usar carro, e sim aquela em que todos os ricos tem condições de usar o transporte publico.

Para aqueles que gastam mais de três horas por dia no transporte publico dividindo o metro quadrado com mais outros sete usuários, a situação se aproxima do estado de natureza hobbesiano, na guerra de todos contra todos. Espremidos, esmagados e pisoteados usuários de metrô, trem e ônibus pertencem a parcela da população que compõe a maioria, e sabem que se locomover na cidade está cada vez mais difícil.

E as ruas senhor Dimmenstein, sem iluminação, pisos lineares e segurança? Certamente Dimmenstein fala em nome de uma minoria privilegiada que “vai a pé” para manter a boa forma, e não pela necessidade. Fala por aqueles que o andar a pé é uma opção que exclui a sedentariedade, em percursos pequenos entre o shopping Higienópolis e a sua residência.

O colunista exclui fatos fundamentais para qualquer análise séria sobre mobilidade urbana, e talvez nunca tenha pensado naqueles que possuem necessidades especiais (como cadeirantes e deficientes visuais) que enfrentam uma verdadeira saga ao transitarem pela cidade.

Mais uma vez Gilberto Dimmenstein solta suas pérolas prosaicas e elitistas, e o leitor desatento aplaude mais um pseudo intelectual.

Para ler a coluna de Dimmenstein, clique aqui http://www1.folha.uol.com.br/colunas/gilbertodimenstein/1157763-a-civilidade-esta-vencendo.shtml

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O que se come em uma semana

1 – Alemanha: Família Melander de Bargteheide.
Despesa com alimentação em 1 semana: 375.39 Euros / $500.07 dólares

2 – Estados Unidos da América: Família Revis da Carolina do Norte
Despesa com alimentação em 1 semana: $341.98 dolares

3 – Italia: Família Manzo da Secília
Despesa com alimentação em 1 semana: 214.36 Euros /  $260.11 dolares

4 – México: Família Casales de Cuernavaca
Despesa com alimentação em 1 semana: 1,862.78 Pesos / $189.09 dólares

5 – Polónia: Família Sobczynscy de Konstancin-Jeziorna
Despesa com alimentação em 1 semana: 582.48 Zlotys / $151.27 dólares

6 – Egito: Família Ahmed do Cairo
Despesa com alimentação em 1 semana: 387.85 Egyptian Pounds / $68.53 dólares

7 – Equador: Família Ayme de Tingo
Despesa com alimentação em 1 semana: $31.55 dólares

8 – Butão: Família Namgay da vila de Shingkhey
Despesa com alimentação em 1 semana: 224.93 ngultrum / $5.03 dólares

9 – Chade: Família Aboubakar do campo de refugiados de Breidjing
Despesa com alimentação por semana: 685 Francos / $1.23 dólares

Resposta desse blog ao texto de Gloria Kalil “Ser chique”

Inicio esse post dizendo que não deveria publicar um artigo em resposta a uma pessoa que não representa qualquer relevância para este blog. Entretanto chamou-me a atenção como esse texto de Glória Kalil tem sido usado por professores (pasmem) em sala de aula, como algumas leitoras informaram.

No manual prático de como e o que é ser “chique” Glória Kalil demonstra que está para a filosofia assim como o Tiririca está para a política. Piadas a parte vamos ao que interessa porque o assunto é sério.

A autora de manuais práticos para se tornar uma pessoa fútil, escrito por uma pessoa fútil ao extremo determina que:

Chique do chique é não se iludir com “trocentas” plásticas do físico… quando se pretende corrigir o caráter: não há plástica que salve grosseria, incompetência, mentira, fraude, agressão, intolerância, ateísmo… falsidade.

Gloria Kalil e seus seguidores que levam este charlatanismo como guia de vida, devo advertir que a imposição comportamental é considerado tirania ocidental.
Que associar ser chique (palavra que define status) não é o mesmo que ter bom senso. Que para ter bom senso, antes de tudo deve-se procurar alimentar a mente com o que realmente importa. Alimentar a mente, significa abrir a caixinha para entender e compreender o mundo e suas diferenças, inclusive respeitando cada uma delas.

Compreender o mundo significa aprender em primeiro lugar que palavras de ordem e preconceito também representam ignorância. Ignorância é associar e comparar ateísmo com comportamentos agressivos, o que por sí só categoriza a autora como ignorante, preconceituosa e agressiva.

A ignorância, Sra. Gloria Kalil tem cura e o remédio não está em manuais práticos de besteiras como esse que a senhora escreveu. A ignorância se cura em primeiro lugar com a busca de novas informações, sem ser sobre quem lançou qual tendencia esse ano. É se propor a sair um pouco do seu mundinho e observar mais ao seu redor, é buscar respostas científicas para apontamentos que colocam em questão a fé ocidental. É buscar compreender que ateísmo não define caráter, é observar que algumas pessoas que se denominam ateus fazem  parte da história por terem dedicado anos de suas vidas a estudos que levaram a descobertas que possibilitaram melhorar a vida da humanidade.

É buscar compreender o porque o preconceito está tão enraizado em nossa sociedade e entender que comportamentos como o seu contribuem para o sentimento de ódio para com grupos que pensam diferente. Sair da ignorância, é como diz Platão, se propor a sair da caverna, ver a luz sob uma ótica diferente. É compreender que sabedoria e elegância nem sempre caminham lado a lado. Que ser chique é um termo carregado de manias e costumes ocidentais e burguesas e que se recorrermos a história descobrimos que tudo isso é datado e predeterminado, e se continuarmos a pesquisa e nos aprofundarmos na sociologia, antropologia e demais ciências humanas, descobrirá que seu texto é fraco, preconceituoso e completamente deselegante uma vez que pagou um mico universal assinando em baixo de uma grosseria dessas.

FEMEM Brazil, esse movimento não me representa!

Após a mídia mostrar-se presente nas ações do movimento Femem da Ucrânia divulgando manifestações as quais as moças aparecem semi-nuas, o Brasil ganha suas adeptas. A princípio, o Femem surge como um movimento que faz muito barulho e tem pouco a dizer e que se apropria da mídia para chamar a atenção, fazendo um jogo a seu favor.

Antes de qualquer conclusão ou atribuir qualquer definição sobre o movimento, decidi usar o bom senso e pesquisar um pouco sobre a historiografia (se é que assim posso dizer) da fundadora e do próprio movimento no Brasil.

Não precisou ir muito longe para descobrir que muitas coincidências sondam Sara Giromini (20 anos) militante e fundadora do Femem no Brasil. Segundo Sara, a adesão ao movimento ocorreu após acompanhar pela internet as manifestações da ucranianas e se identificar com a causa. Logo, Sara Gironimi adota o nome Sara Winter para “proteger a família”. Porém, o nome escolhido é o de uma jovem britânica que foi militante nazista durante a segunda guerra mundial. Após tornar-se alvo de diversas acusações, Sara diz se tratar de uma triste coincidência.

Seria coincidência também a jovem possuir um blog pessoal  (o qual ela tratou de bloquear a conta depois da divulgação) onde em seu perfil se define como direita nacionalista?  http://lecultrats.blogspot.com.br/p/quem-sou-eu.html As coincidências não param por aí, Sara também já manifestou sua admiração por Plínio Salgado e tatuou a cruz de ferro no peito, conhecendo todos os seus significados, inclusive a associação ocidental ao partido nazista alemão. Em outra oportunidade já havia considerado o “o gene das ucranianas privilegiado” demonstrando simpatia pelo discurso de segregação racial adotado por Hitler. Talvez outra “triste coindidência” foi sua manifestação na internet indicando os discursos do Hittler e convidando os seus seguidores a “mudarem o mundo” com ela.

Em 2011 Sara, já assumindo o nome Sara Winter publicou um comentário  criticando a nudez exposição da Marcha das Vadia: ““Eu fico me perguntando aqui, por que diabos essas meninas não fizeram uma marcha normal, quero dizer, COM ROUPAS NORMAIS, reinvindicando o direito das mulheres […] Mas é claro que é muito mais divertido tornar a coisa polêmica, usar a faceta da liberdade de expressão para andar seminua nas ruas e se enxer de um ‘orgulho puta’ (como diz um cartaz aí), daria pra fazer a mesma marcha com outro nome, com roupas e sem orgulho puta, mas aposto que não dariam tantas pessoas quanto na original”.

 Diante do bombardeio de acusações e perguntas sobre estas coincidências, a jovem Sara sentiu-se no banco dos réus e respondeu defensivamente que “tinha mudado de opinião”, mesmo ela sendo uma jovem, como podemos notar, com mais acesso a materiais de pesquisas para formar opiniões que a maior parte dos jovens brasileiros. Sua vida está repleta de coincidências, como o fato de possuir  esse histórico e aderir a um movimento ucraniano, tendo o Brasil dezenas de movimentos feministas representando e articulando com as minorias e lutando incansavelmente pela causa feminista. Seria coincidência ela optar pela sua adesão ao movimento dos “genes privilegiados”?

Alheios a causa feminista no Brasil, muitos acham que as críticas estão sendo maldosas com a moça, por sabermos o perfil da mídia do nosso país que é expert no sensacionalismo e adora colocar em descrédito qualquer movimento. Porém o Femem Brasil não se trata de um movimento social, e coloco em pauta a legitimidade de qualquer  movimento fala em nome das minorias, mas que se estrutura de forma hierárquica e que não está aberto para adesões espontâneas, aplicando processo seletivo para novos membros e ritos de passagem.

O Femem Brasil recebe mais de cem e-mails por dia de candidatas que devem passar pelas seguintes etapas classificatórias:

1- Inicialmente a candidata deve postar em alguma rede social uma foto com os seios de fora.

2- Entrevista pessoal.

3- Teste na rua: expor o seio sozinha numa rua da cidade, demonstrando comprometimento com a causa.

Todos podem mudar de opinão, e tem esse direito. Aliás, isso é uma característica humana, entretanto todo movimento que fala em nome de minorias deve estar preparado para o debate de idéias, e Sara demonstra-se imatura frente a luta feminista no Brasil, e também não merece confiança sem provar a que realmente veio diante de um passado recente muito obscuro.

A Lola em seu blog comenta sobre o perfil no orkut de Sra que ainda está disponível “as comunidades que ela segue vão do “Odeio o PT” à “Resistência Anti-Comunista”, passando por inúmeras comus integralistas e nacionalistas. Tem também amor pela ROTA e pelo uso de força policial (sério, ativista ser fã da polícia que vai prendê-la é uma contradição em termos), fascínio por armas, e uma “Sou fã de Jair Bolsonaro”.

Acredito que Sara não seja apenas uma jovem imatura que mudou de opinião e esteja bem intencionada. Acredito que o Femem em sí não seja um grupo de mulheres bem intencionadas com a causa feminista. Vejo perigo nessa nova onda de manifestações e chamo a atenção de outras feministas para esta questão.

Não sejamos inocentes de rotular o Femem como um grupo que gera muito barulho e tem pouco a dizer. Será que é coincidência o Femem ter escolhido uma moça com tal histórico e com uma cruz de ferro no peito?

O Femem adere o arco de flores na cabeça, e muitos dizem que está associado a pureza ariana. O assunto é sério, e acredito que tratar tantos como “tristes coincidências” é de tamanha irresponsabilidade. O Femem vem ganhando espaço na mídia e no mundo, e recrutando cada vez mais jovens que passam pelo tal processo seletivo e associando as suas manifestações a causa feminista.

E o que é o Femem?

Deveríamos saber mais sobre esse movimento, e ele deveria ser mais claro em seus posicionamentos.

Como lembrou Lola em seu blog, o Femen Ucrânia realizou protestos contra a participação de mulheres de países islâmicos nas Olimpíadas de Londres 2012, apelando a imagens como esta que coloquei acima. O Femen Canadá já deu várias declarações xenofóbicas, posicionando-se contra imigrantes.

O Femem  recruta no Brasil (com S e não com Z) uma jovem adepta a discursos nazifacistas, com uma cruz de ferro no peito, tudo isso por mera coincidência?

Tudo isso me leva a crer que não existem “tristes coincidências” e sim, tristes fatos associados a causa feminista que repudia esse tipo de discursos.

Parece clichê, mas é importante frisar que definitivamente o Femem  NÃO ME REPRESENTA, por não me convencer sobre a sua seriedade com a causa feminista, por ter uma líder com passado sombrio que demonstrou em diversas entrevista mal saber o que feminismo, por ser promover protestos xenofóbico e homofóbico, por ter protestado contra a livre circulação dos livros e por não ser um movimento igualitário desde a sua composição e estrutura.

Conhecendo um pouco da história e das lutas ideológicas, questiono quem estará por trás do femem e quais os seus reais objetivos recrutando moças com esse perfil pelo mundo a fora?

O Serra, a CPTM e o descaso com a população

Pessoal, esse post trata-se de um desabafo de uma cidadã que em período de eleição torna-se apenas um índice de pesquisa eleitoral, assim como todos vocês.

Hoje por volta das 13hs o candidato a prefeitura de São Paulo pelo PSDB, José Serra, utilizou o trem da CPTM na região da Zona Sul e foi até Pinheiros, o que me causou profunda revolta.

A pergunta que não quer calar: Porque ele não coloca a senhora sua mãe para dar um passeio as 06hs da manhã no trem da CPTM? Essa pergunta soou uma ofensa? Pois é, também nos sentimos ofendidos diariamente quando dependemos dos serviços da CPTM para nos locomover, chegando diariamente atrasados no trabalho e demais compromissos.Cuidado Serra, tempo em São Paulo é dinheiro. Seu certificado falso de economista talvez não permita que você reflita sobre as consequências na economia do Estado quando os pontos não são mais batidos no horário previsto devido o desserviço da administração publica.

Sociólogos não são Nostradamus, mas espero que as previsões estejam corretas: esse ano o Zé não chega ao segundo turno!

Outros fatores em São Paulo causam indignação e revolta, entretanto o direito de ir e vir dos indivíduos estão sendo profundamente abalados.

Diariamente o trem opera com lotação acima da normalidade (5 a 6 passageiros por metro quadrado) com lentidão, atrasos e até paralisação do serviços, deixando os usuários em qualquer estação sem previsão para normalização dos serviços. Compartilho um relato pessoal, em que certo dia voltando da faculdade, estava no último horário do trem e ele simplesmente parou sem que fossemos avisados sobre o ocorrido. Quase meia noite fomos largados em uma região que não oferecia opções para concluirmos o trajeto para casa. Nem preciso dizer que o resto da madrugada foi sofrível, até conseguir chegar sem nenhuma segurança em minha residência. Assim como eu, os usuários estão diariamente sofrendo com as condições lastimáveis do sistema publico de transporte em São Paulo, e em período de eleição somos tratados como cobaias de campanhas eleitorais por salafrários corruptos, que ganham o pão as custas do sofrimento de uma população inteira que trabalha de forma honesta para viver, pagar os impostos e levar o Estado nas costas. Quando oferecem benefícios, estes já são tardios e insuficientes para a demanda, como a linha 4 do metrô.

Como usuária, sou daquelas que vai até o inferno reclamar, e assim o fiz. Após efetuar diversas reclamações  nas cabines de operações da CPTM exigindo informações sobre o desserviço que eles prestam, efetuar diversos registros no site da CPTM e encontrar na internet o endereço de alguns responsáveis os quais contatei registrando minha indignação, recebi uma ligação de um funcionário me convidando para participar de uma reunião com outros usuários e membros responsáveis pela operação da CPTM para discutir melhorias. Infelizmente não haviam outro usuários da linha 09, talvez por não terem manifestado reclamaçaões constantes e por terem desacreditado que exigir respostas ainda valha a pena.  Nessa reunião o Sr. Sérgio Carvalho responsável pelo atendimento ao usuário somente registrou o que já imaginávamos: A CPTM não está interessada em melhorar os serviços, e mencionava a linha 09 como exemplo de qualidade, o que enfatizo como desrespeito ao consumidor. Registrei toda a conversa, e até hoje aguardo retorno do Sr. Sérgio sobre um segundo encontro, onde ele traria respostas da CPTM sobre os questionamentos levantados.

Para quem quiser, disponibilizo o contato dele. Acredito que quanto mais pessoas se manifestareem, mais eles serão pressionados para fazer o que é dever do Estado: prestar um serviço digno de transporte à sua população.

sergio.carvalho@cptm.sp.gov.br. 11 3226-4360

Cobrem mais de quem representa você no poder!

A nova classe média está consumindo mais ou sendo mais consumida?

Na última década o termo “ascensão” tem sido constantemente empregado para descrever o perfil daqueles que compõe a famosa classe C, também conhecida por nova classe média. Sociólogos de gabinete tem se ocupado na elaboração de teorias que possam explicar esse fenômeno, enquanto os marqueteiros de plantão estão empenhados para traçar o perfil desses novos consumidores disponibilizando diversos produtos em diferentes nichos de mercado.

Segundo o Governo Federal 94,9 milhões de brasileiros (50,5 da população) pertence a nova classe média o que a torna dominante do ponto de vista eleitoral e econômico

O lema do momento é afirmar que a classe C segura a economia do país, e eu me pergunto se de fato não foi sempre assim, afinal quem é essa enigmática classe C, se não a massa composta por trabalhadores ocupados na produção do capital que recebe em troca algum valor em espécie que possibilita o seu acesso ao consumo? Qual a novidade que sejam esses que seguram a economia do país, pagando os impostos mais caros para sobreviver e dispensando toda a sua renda em consumo básico para suas necessidades cotidianas?

Se analisarmos o processo da construção econômica do Brasil em contraposição ao processo de regulamentação do trabalho, podemos obter resultados precisos sobre o papel do trabalhador no desenvolvimento econômico do país. O trabalhador desenvolve a mão de obra e por outro lado devolve sua renda em consumo, no exemplo mais clássico da relação da mais valia no processo capitalista.

O trabalho sempre foi o principal alicerce para as transformações econômicas que por sua vez desencadearam uma série de transformações na ordem social no Brasil. O trabalhador é o ator fundamental para tais processos, pois é ele que compõe a massa ativa da população, que não só faz parte na história, como faz parte ativamente da história do país.

Segundo o Instituto de pesquisa Data Popular, a classe C é responsável por 78% do que é comprado em supermercados, 60% das mulheres vão a salões de beleza, 70% dos cartões de crédito no país e 80% acessam a internet.

Empresas que até então segmentavam o atendimento à classe rica da população estão criando linhas específicas para disponibilizar produtos acessíveis, visando seduzir a classe ativa que mais oferece chance de consumo. Até as imponentes cias. aéreas estão buscando parcerias com lojas populares como “Casas Bahia” para atender esse novo publico.

É fato que uma parcela da população está tendo acesso a produtos e serviços que até então eram considerados supérfluos e luxuosos, entretanto esse cenário não significa que a ascensão social no Brasil é possível diante desse fenômeno, pois ainda existe uma parcela muito grande de pessoas que se encontram à margem desse processo, impossibilitadas inclusive de se tornarem números de pesquisas.

Chove torrencialmente na cidade de São Paulo

Em 30 de Abril O CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), da prefeitura, registrou 19 pontos de alagamentos. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), informou que 17 semáforos estavam apagados e 20 no amarelo intermitente.

Lembremos que estes são os dados oficiais, mas sabemos que existem mais mistérios entre as notícias oficiais e os dados reais, que a nossa vã filosofia possa imaginar. Fato é que a cidade de São Paulo parece esquecida. O paulista sofre no trânsito em dias de chuva mais que em dias “normais”. Em dias normais o tráfego já é lento e degradante, mas em dias de chuva é simplesmente impossível se locomover na cidade. A população que depende de transporte coletivo é ainda mais massacrada, sendo obrigada a caminhar em ruas alagadas, utilizar trem ou metrô com serviços praticamente inoperantes e superlotados, tudo isso em baixo de chuva.

A situação do trabalhador que chega em seu ambiente de trabalho molhado, atrasado e humilhado é realmente difícil.

Todos os dias surge em meio a multidão uma voz desesperada que desabafa “o mais cansativo é chegar no trabalho, e não exatamente o trabalho”. Se locomover na cidade está cada vez mais impossível.

Hoje, é  dia do trabalhador, e o que mais se comemora é o fato de não precisar ir ao trabalho por ser um feriado nacional.

O prefeito da cidade, ninguém sabe ninguém viu…

E ainda somos obrigados a digerir as campanhas eleitorais que estão sendo veiculadas, onde o senhor governador exalta a chegada de empresas e indústrias no estado de São Paulo, exaltando a existência da mão de obra na região, mas parece não se lembrar que os trabalhadores em sua grande maioria habitam regiões distantes do grandes centros, e necessitam de um transporte descente, no mínimo humano para se locomoverem.

Maio está só começando, e a chuva promete castigar o trabalhador mais um ano,  como em todos os dias do ano.